Tuesday, January 4, 2022

Meteoritos Santa Catharina e Patos de Minas II (Octaedrito)

 O meteorito Santa Catharina foi descoberto ainda durante o reinado de D. Pedro II em São Francisco do Sul - SC por volta de 1875. A quantidade desse meteorito era tão grande (25t) que antes de ter uma amostra classificada como sendo um objeto do espaço, foi enviado para a Europa como sendo proveniente de uma mina de ferro para ser fundido. O Santa Catarina é um raro Siderito Ataxito com mais de 30% de Niguel em sua composição, não mostrando estruturas como as de Widmanstatten ao ser tratado com ácido. A análise pode ser vista aqui.


Já o Patos de Minas II (Siderito Octaedrito) começa sua história em 1925. Havia um fragmento de 18.4g desse meteorito na Escola de Minas de Ouro Preto. Mais tarde em 2002 um fazendeiro achou uma massa de 200kg enquanto arava sua terra na mesma região do fragmento menor. Ao analisar a maior massa, logo se descobriu que as duas faziam parte do mesmo meteorito. Sua análise pode ser vista aqui


Céus limpos

@astronomiaNoCerrado

Saturday, January 1, 2022

Um pedaço do Vesta no Brasil

Em Junho de 2017 um meteorito teve sua queda observada nas proximidades da vila Serra Pelada no Pará. Um estrondo que foi ouvido a quilômetros de distância! Alguns fragmentos foram encontrados próximos a uma escola na região e coletados por morados da vila. A massa maior, que fora logo vendida para um estrangeiro, foi encontrada por um eletricista na região de uma mineradora.

Parte desses fragmentos foram comprados por pesquisadores e colecionadores brasileiros, submetidos a análise e indicaram que se tratava de um tipo raro de meteorito (Acondrito Eucrito, HED), que seria proveniente do asteróide 4 Vesta. O estudo realizado por Maria Elizabeth Zucolotto, pesquisadora da UFRJ, reforça a origem desse meteorito pois possui uma proporção única de alguns elementos químicos.

Esse exemplar acaba de entrar para a coleção. Sua análise pode ser vista aqui.

Vesta (designado formalmente 4 Vesta) é o segundo maior asteroide do Sistema Solar e o principal corpo da família Vesta, com um diâmetro médio de 530 km, até ser promovido a protoplaneta em maio de 2012.

Foi descoberto por Heinrich Wilhelm Olbers em 29 de março de 1807. O nome provém da deusa romana Vesta, correspondente à deusa da mitologia grega Héstia. Está localizado no cinturão de asteroides, região entre as órbitas de Marte e Júpiter, a 2,36 UA do Sol. 


foto: 4 Vesta. Dawn/NASA

Seu tamanho e o brilho pouco comum na superfície fazem de Vesta o mais brilhante asteroide. É o único asteroide que é ocasionalmente visível a olho nu.

Teoriza-se que nos primeiros tempos do sistema solar, Vesta era tão quente que o seu interior derreteu. Isto resultou numa diferenciação planetária do asteroide. Provavelmente tem uma estrutura em camadas: um núcleo metálico de níquel-ferro coberto por uma camada (manto) de olivina. A superfície é de rocha basáltica, originária a partir de antigas erupções vulcânicas. A atividade vulcânica não existe hoje.

Céus Limpos

@astronomiaNoCerrado

Saturday, December 18, 2021

Meteoritos URUAÇU, CAMPOS SALES e N. S. Do Livramento

Entrando para a coleção mais três exemplares de meteoritos brasileiros! O meteorito Uruaçu e o Campos Sales caíram em solo nacional na década de 90. O primeiro, localizado por um fazendeiro no Estado de Goiás foi classificado como Siderito e portanto proveniente do núcleo do corpo parental, sua análise pode ser encontrada aqui

Já o Campos Sales, teve sua queda observada no Ceará, é um Condrito Ordinário com baixo teor de ferro (L5), formado a milhões de anos atrás por acreção de matéria proveniente dos primórdios do Sistema Solar. Sua análise pode ser vista aqui.



O Nossa Senhora do Livramento foi achado em 2016 em Mato Grosso durante uma busca por ouro na região e também foi classificado como um Siderito, sua análise pode ser acessada aqui


Céus limpos a todos

@astronomiaNoCerrado

Thursday, November 4, 2021

PixInsight com suporte a CUDA

Para quem usa PixInsight para tratar as astrofotos sabe que alguns processos como StarNet são computacionalmente muito caros e podem levar horas para terminar.

Para facilitar um pouco a nossa vida dura 😅 trago aqui uma dica de como utilizar sua placa NVIDIA para acelerar esse processo. Para esse tutorial vamos usar os seguintes softwares e versões:

  • PixInsight 1.8.8-9
  • Cuda ToolKit 11.5 (cuda_11.5.0_496.13_win10.exe)
  • CudaNN 11.4 (cudnn-11.4-windows-x64-v8.2.4.15.zip)
  • LibTensorflow 2.6.0 (libtensorflow-gpu-windows-x86_64-2.6.0.zip)
NOTA 1: Não são todas as placas NVIDIA que funcionam, mas vale você testar a sua.
NOTA 2: Se você usa uma versão mais antiga do PixInsight pode ter que usar versões mais antigas doas softwares listados aqui.

Passo 1:
Instale Cuda ToolKit 11.5 (execute cuda_11.5.0_496.13_win10.exe).
Selecione a opção Personalizada 

Você pode desmarcar todas as opções, deixando apenas CUDA/Runtime/Libraries

Finalize a instalação no diretório padrão C:\Program Files\NVIDIA GPU Computing Toolkit\CUDA\v11.5

Passo 2:
Precisamos criar duas variáveis de ambiente. Abra Propriedades do Sistema (você pode ir em procurar e digite Editar Variáveis). Vá em Avançado/Variáveis de Ambiente



Crie a variável TF_FORCE_GPU_ALLOW_GROWTH com valor True


Edite a variável Path e adicione o caminho C:\Program Files\NVIDIA GPU Computing Toolkit\CUDA\v11.5


Faça para as variáveis de sistema e para o usuário (só para garantir).

Passo 3:

Abra cudnn-11.4-windows-x64-v8.2.4.15.zip e extraia a pasta lib e bin que está dentro de cuda para
C:\Program Files\NVIDIA GPU Computing Toolkit\CUDA\v11.5


Passo 4:

Abra e extraia libtensorflow-gpu-windows-x86_64-2.6.0.zip, depois copie o arquivo tensorflow.dll que está no diretório lib para  C:\Program Files\PixInsight\bin 

Passo 5:

Vamos testar! Abra seu Gerenciador de Tarefas / Desempenho. Execute o PixInsight, abra uma imagem não-linear e execute o processo StarNet. Você deve ver sua GPU trabalhando!


Céus limpos!
@astronomiaNoCerrado

Friday, October 22, 2021

A Energia Escura

Essa entidade é mais um mistério da ciência pois sabemos pouco sobre sua provável composição. Digamos que você pegue um certo volume do espaço e tire tudo de dentro, então teríamos o vácuo. Na verdade teríamos o próprio espaço e aparentemente há uma energia associada a ele. Essa é a Energia Escura.

O mais impressionante é que graças a Física Quântica estamos conseguindo quantificar essa energia.

Na Cosmologia a Energia Escura é sinônimo de Constante Cosmológica ƛ. A densidade Dƛ dessa constante se junta a outros dois parâmetros cosmológicas (densidade de radiação (Dr) e densidade de matéria (Dm)) que descrevem a composição do Universo.

Existe um consenso na ciência de que nosso universo é plano e portanto se tornarmos esses parâmetros adimensionais dividindo por uma constante chamada de densidade crítica (ρ que é a quantidade de matéria que define o universo plano), a soma precisa ser 1 respeitando a geometria euclidiana.

Dƛ/ρ + Dm/ρ + Dr/ρ = 1

Aqui a Cosmologia consegue nos dar alguns números. No post sobre Matéria Escura ficou claro que é possível experimentalmente fazer estimativas da matéria no universo (Dm/ρ = 0.3) , sabemos que é possível fazer o mesmo com a radiação (Dr é muito pequeno, desprezível e próximo de 10^-5). portanto

                                                                  Dm/ρ + Dr/ρ = 1 - Dƛ/ρ

                                                                        0.3 = 1 - Dƛ/ρ

                                                                            Dƛ/ρ = 0.7

Daqui tiramos que aproximadamente 70% do universo é Energia Escura e 30% de matéria (bariônica + escura) e a radiação é muito pequena. Vale ressaltar que a quantidade e Energia Escura sempre se alterou com a expansão do universo, pois a medida que há mais espaço também há mais energia. Entretanto a densidade de Energia Escura permanece constante desde o Big Bang.

Isso é interessante pois sabemos que houve um tempo onde havia mais radiação que matéria no universo, portanto  Dm/ρ e Dr/ρ se alteraram em menor e maior proporção. Principalmente nos primeiros anos após o Big Bang, Dm/ρ deveria estar mais próximo de ser insignificante e  Dr/ρ mais próximos dos 30%.

Uma outra forma de chegar a esses valores é fazer a curva de aproximação da relação redshift (z) vs idade do universo. 

Mais uma vez os valores ótimos (idade do universo ~13Gyr) para os parâmetros cosmológicos são próximos de 0.7 e 0.3 e H sendo a constante de Hubble atualmente.

Por curiosidade fiz a integração numérica com intervalo de integração [0, 1000], Dƛ/ρ=0.7 e  Dm/ρ=0.3:

                            - 20ln(3*10001^3/2 + 7)/21 + 10ln(1001)/7 + 20ln(10)/21 = ~ 1/H * 1.1455

Esse valor superior a H^-1 sugere que o universo seria um pouco mais velho e estaria acelerando. O resultado dessa integração numérica muda bastante dependendo dos valores escolhidos para os parâmetros cosmológicos, por isso é tão importante estima-los com precisão.

As estimativas para esses parâmetros cosmológicos são fundamentais também para o cálculo de várias outras funções como por exemplo a Distância Comóvel, que por sua vez nos leva a Distância de Luminosidade e Distância de Diâmetro Angular.

É importante lembrar que existem outras hipóteses para explicar a Energia Escura, isso porque as observações da Física Quântica indicam uma discrepância muito grande entre o valor teórico assumido por ƛ no modelo cosmológico padrão e o que se quantifica experimentalmente.

Céus limpos

@astronomiaNoCerrado


Friday, October 15, 2021

Matéria Escura: Evidências de sua presença

O que é a tal Matéria Escura ?

Ninguém sabe ao certo. Parece que essa entidade não interage com forças eletromagnéticas (não emite e nem absorve luz) mas interage gravitacionalmente. Descrevo aqui rapidamente quais são as evidências da presença da Matéria Escura que foram observadas até hoje

  • Lentes Gravitacionais
Esse é um efeito previsto pela Teoria da Relatividade Geral de Einstein e rege sobre os efeitos causados na luz pela distorção do espaço-tempo.
A idéia é mais ou menos o que acontece quando a luz atravessa uma lente. Ela sofre uma alteração, podemos ver isso claramente por exemplo quando usamos uma lupa para direcionar a luz do SOL.

No Cosmos existem essas "lentes". São as estruturas de grande massa como os aglomerados galácticos. Se houver um objeto entre nós e um aglomerado galáctico, é possível que enxerguemos alguma distorção na luz emitida/refletida por esse objeto.


Foto: Efeito lentes gravitacionais capturado pelo Hubble/NASA no aglomerado SDSS J0952+3434
  • Dinâmica das Estrelas
Por qual motivo nosso planeta não é engolido pelo SOL ? Porque há uma velocidade de translação em uma determinada órbita. Caso contrário, se estivéssemos parados a força da gravidade faria seu papel e seríamos atraídos, iríamos de encontro ao SOL. Portanto a força da gravidade deve contrapor a força centrifuga:

Desta demonstração podemos dizer que a velocidade depende da massa M e diminui a medida que o raio R aumenta. Por isso a velocidade de translação da Terra é maior que a de Netuno. A massa significativa ai é a do SOL.

Qual a relação disso com a cinemática das estrelas e a matéria escura ?

A maior parte da massa (matéria bariônica) de uma galáxia está mais próxima do seu centro do que no limite externo do seu disco. Pois bem, se medirmos a velocidade de translação de uma estrela no limite do disco e comparar com a velocidade de uma estrela mais próxima ao centro, usando a fórmula acima veríamos que a estrela mais próxima ao centro tem uma velocidade de translação maior.

Mas não é isso que acontece! As medições desse tipo indicam que as velocidades se mantem mais ou menos constantes. Para que isso ocorra precisaria haver mais massa bariônica no limite do disco e não é isso que se vê. Levando em consideração a massa de todas as estrelas e gases presentes, ainda assim faltaria muita massa para justificar tal velocidade.

O motivo então seria a presença da Matéria Escura. A idéia mais aceita é que existe um halo de materia escura entorno da galáxia.

Claro que o cálculo de rotação de uma galáxia é mais elaborado que essa demonstração. Mas a idéia principal permanece, veja esse grafico da velocidades observadas na galáxia UGC05721 no artigo "Rotação de galáxias e matéria escura" de Alejandro Hernández-Arboleda e Davi C. Rodrigues. As velocidades não diminuem com o aumento da distância.


  • Dinâmica de aglomerados Galácticos
As galáxias que fazem parte de aglomerados não estão paradas, elas giram entorno de um centro. A idéia aqui é a mesma da cinemática das estrelas. As velocidades medidas das galáxias só são justificadas com a presença da matéria escura, pois a soma da matéria bariônica não justifica tais velocidades.
  • Temperatura dos gases em aglomerados Galácticos
Os aglomerados de Galáxias ainda nos dão uma outra evidência da matéria escura. A temperatura dos gases intra-aglomerado. Em última instância a temperatura de um gás é o nível da agitação das partículas e observou-se que a matéria bariônica ali presente não seria suficiente para tornar o gás tão quente, portanto a matéria escuro estaria ali presente.

Céus limpos

@astronomiaNoCerrado

Saturday, October 2, 2021

Da Bariogénese à consciência do Cosmos

É possível traçar um paralelo entre a evolução da Astronomia e da Humanidade no que diz respeito a forma que nos vemos nesse Planeta. Saímos de épocas de escuridão, onde achávamos que éramos o centro de tudo, navegamos em mares iluminados e percebemos que somos parte de um todo. Com a ajuda da Física, da Filosofia e de outras ciências nos encontramos num processo de entendimento das Leis Naturais buscando nossa consciência como seres de vida avançada.

Com um certo senso de consciência coletiva ou de brevidade, muitos deixaram o seu melhor para nós na arte e na ciência, transformando para melhor nossa "cultura humana".

Estamos sempre comprimindo a mola, estamos adicionando a tensão necessária para que haja transformação em algum momento. Vez ou outra navegamos pela cegueira intelectual: o fracasso que deve ser escondido, o imperfeito excluído de nossas vidas.

Pois bem, digo-lhes que os fracassos e as imperfeições são características fundamentais no processo evolutivo do Cosmos e foram catalisadores de transformações. O Cosmos deixou para trás um mundo hostil, época de grande densidade de radiação e matéria bariônica ,fracassou por bilhões de anos, por uma infinidade de reações químicas até conseguir uns dos seus sucessos que foi a vida e em seguida sua consciência através da vida avançada.

Não sabemos qual o próximo passo nessa caminhada evolutiva do Cosmos, o que virá no pós- consciência. Mas é provavel que as grandes transformações venham catalizadas pelo imperfeito e o fracasso.

Acredito que se tivermos consciência de nossa finitude como matéria desse Cosmos e decidirmos deixar nosso melhor legado, estaremos mais próximo das respostas ou ao menos deixaremos para trás mais rapidamente os momentos de cegueira intelectual. Ficaremos mais perto do próximo passo evolutivo, sentiremos que somos guardiões da vida em um Planeta raro. E mais do isso, que somos os únicos exemplares da espécie Humana!

Céus limpos

@astronomiaNoCerrado

Nebulosa da Borboleta

 A NGC 6302, também conhecida como Nebulosa da Borboleta ou Nebulosa do Inseto, é uma impressionante nebulosa planetária localizada na const...