Saturday, December 18, 2021

Meteoritos URUAÇU, CAMPOS SALES e N. S. Do Livramento

Entrando para a coleção mais três exemplares de meteoritos brasileiros! O meteorito Uruaçu e o Campos Sales caíram em solo nacional na década de 90. O primeiro, localizado por um fazendeiro no Estado de Goiás foi classificado como Siderito e portanto proveniente do núcleo do corpo parental, sua análise pode ser encontrada aqui

Já o Campos Sales, teve sua queda observada no Ceará, é um Condrito Ordinário com baixo teor de ferro (L5), formado a milhões de anos atrás por acreção de matéria proveniente dos primórdios do Sistema Solar. Sua análise pode ser vista aqui.

O Nossa Senhora do Livramento foi achado em 2016 em Mato Grosso durante uma busca por ouro na região e também foi classificado como um Siderito, sua análise pode ser acessada aqui


Céus limpos a todos

@astronomiaNoCerrado

Thursday, November 4, 2021

PixInsight com suporte a CUDA

Para quem usa PixInsight para tratar as astrofotos sabe que alguns processos como StarNet são computacionalmente muito caros e podem levar horas para terminar.

Para facilitar um pouco a nossa vida dura 😅 trago aqui uma dica de como utilizar sua placa NVIDIA para acelerar esse processo. Para esse tutorial vamos usar os seguintes softwares e versões:

  • PixInsight 1.8.8-9
  • Cuda ToolKit 11.5 (cuda_11.5.0_496.13_win10.exe)
  • CudaNN 11.4 (cudnn-11.4-windows-x64-v8.2.4.15.zip)
  • LibTensorflow 2.6.0 (libtensorflow-gpu-windows-x86_64-2.6.0.zip)
NOTA 1: Não são todas as placas NVIDIA que funcionam, mas vale você testar a sua.
NOTA 2: Se você usa uma versão mais antiga do PixInsight pode ter que usar versões mais antigas doas softwares listados aqui.

Passo 1:
Instale Cuda ToolKit 11.5 (execute cuda_11.5.0_496.13_win10.exe).
Selecione a opção Personalizada 

Você pode desmarcar todas as opções, deixando apenas CUDA/Runtime/Libraries

Finalize a instalação no diretório padrão C:\Program Files\NVIDIA GPU Computing Toolkit\CUDA\v11.5

Passo 2:
Precisamos criar duas variáveis de ambiente. Abra Propriedades do Sistema (você pode ir em procurar e digite Editar Variáveis). Vá em Avançado/Variáveis de Ambiente



Crie a variável TF_FORCE_GPU_ALLOW_GROWTH com valor True


Edite a variável Path e adicione o caminho C:\Program Files\NVIDIA GPU Computing Toolkit\CUDA\v11.5


Faça para as variáveis de sistema e para o usuário (só para garantir).

Passo 3:

Abra cudnn-11.4-windows-x64-v8.2.4.15.zip e extraia a pasta lib e bin que está dentro de cuda para
C:\Program Files\NVIDIA GPU Computing Toolkit\CUDA\v11.5


Passo 4:

Abra e extraia libtensorflow-gpu-windows-x86_64-2.6.0.zip, depois copie o arquivo tensorflow.dll que está no diretório lib para  C:\Program Files\PixInsight\bin 

Passo 5:

Vamos testar! Abra seu Gerenciador de Tarefas / Desempenho. Execute o PixInsight, abra uma imagem não-linear e execute o processo StarNet. Você deve ver sua GPU trabalhando!


Céus limpos!
@astronomiaNoCerrado

Friday, October 22, 2021

A Energia Escura

Essa entidade é mais um mistério da ciência pois sabemos pouco sobre sua provável composição. Digamos que você pegue um certo volume do espaço e tire tudo de dentro, então teríamos o vácuo. Na verdade teríamos o próprio espaço e aparentemente há uma energia associada a ele. Essa é a Energia Escura.

O mais impressionante é que graças a Física Quântica estamos conseguindo quantificar essa energia.

Na Cosmologia a Energia Escura é sinônimo de Constante Cosmológica ƛ. A densidade Dƛ dessa constante se junta a outros dois parâmetros cosmológicas (densidade de radiação (Dr) e densidade de matéria (Dm)) que descrevem a composição do Universo.

Existe um consenso na ciência de que nosso universo é plano e portanto se tornarmos esses parâmetros adimensionais dividindo por uma constante chamada de densidade crítica (ρ que é a quantidade de matéria que define o universo plano), a soma precisa ser 1 respeitando a geometria euclidiana.

Dƛ/ρ + Dm/ρ + Dr/ρ = 1

Aqui a Cosmologia consegue nos dar alguns números. No post sobre Matéria Escura ficou claro que é possível experimentalmente fazer estimativas da matéria no universo (Dm/ρ = 0.3) , sabemos que é possível fazer o mesmo com a radiação (Dr é muito pequeno, desprezível e próximo de 10^-5). portanto

                                                                  Dm/ρ + Dr/ρ = 1 - Dƛ/ρ

                                                                        0.3 = 1 - Dƛ/ρ

                                                                            Dƛ/ρ = 0.7

Daqui tiramos que aproximadamente 70% do universo é Energia Escura e 30% de matéria (bariônica + escura) e a radiação é muito pequena. Vale ressaltar que a quantidade e Energia Escura sempre se alterou com a expansão do universo, pois a medida que há mais espaço também há mais energia. Entretanto a densidade de Energia Escura permanece constante desde o Big Bang.

Isso é interessante pois sabemos que houve um tempo onde havia mais radiação que matéria no universo, portanto  Dm/ρ e Dr/ρ se alteraram em menor e maior proporção. Principalmente nos primeiros anos após o Big Bang, Dm/ρ deveria estar mais próximo de ser insignificante e  Dr/ρ mais próximos dos 30%.

Uma outra forma de chegar a esses valores é fazer a curva de aproximação da relação redshift (z) vs idade do universo. 

Mais uma vez os valores ótimos (idade do universo ~13Gyr) para os parâmetros cosmológicos são próximos de 0.7 e 0.3 e H sendo a constante de Hubble atualmente.

Por curiosidade fiz a integração numérica com intervalo de integração [0, 1000], Dƛ/ρ=0.7 e  Dm/ρ=0.3:

                            - 20ln(3*10001^3/2 + 7)/21 + 10ln(1001)/7 + 20ln(10)/21 = ~ 1/H * 1.1455

Esse valor superior a H^-1 sugere que o universo seria um pouco mais velho e estaria acelerando. O resultado dessa integração numérica muda bastante dependendo dos valores escolhidos para os parâmetros cosmológicos, por isso é tão importante estima-los com precisão.

As estimativas para esses parâmetros cosmológicos são fundamentais também para o cálculo de várias outras funções como por exemplo a Distância Comóvel, que por sua vez nos leva a Distância de Luminosidade e Distância de Diâmetro Angular.

É importante lembrar que existem outras hipóteses para explicar a Energia Escura, isso porque as observações da Física Quântica indicam uma discrepância muito grande entre o valor teórico assumido por ƛ no modelo cosmológico padrão e o que se quantifica experimentalmente.

Céus limpos

@astronomiaNoCerrado


Friday, October 15, 2021

Matéria Escura: Evidências de sua presença

O que é a tal Matéria Escura ?

Ninguém sabe ao certo. Parece que essa entidade não interage com forças eletromagnéticas (não emite e nem absorve luz) mas interage gravitacionalmente. Descrevo aqui rapidamente quais são as evidências da presença da Matéria Escura que foram observadas até hoje

  • Lentes Gravitacionais
Esse é um efeito previsto pela Teoria da Relatividade Geral de Einstein e rege sobre os efeitos causados na luz pela distorção do espaço-tempo.
A idéia é mais ou menos o que acontece quando a luz atravessa uma lente. Ela sofre uma alteração, podemos ver isso claramente por exemplo quando usamos uma lupa para direcionar a luz do SOL.

No Cosmos existem essas "lentes". São as estruturas de grande massa como os aglomerados galácticos. Se houver um objeto entre nós e um aglomerado galáctico, é possível que enxerguemos alguma distorção na luz emitida/refletida por esse objeto.


Foto: Efeito lentes gravitacionais capturado pelo Hubble/NASA no aglomerado SDSS J0952+3434
  • Dinâmica das Estrelas
Por qual motivo nosso planeta não é engolido pelo SOL ? Porque há uma velocidade de translação em uma determinada órbita. Caso contrário, se estivéssemos parados a força da gravidade faria seu papel e seríamos atraídos, iríamos de encontro ao SOL. Portanto a força da gravidade deve contrapor a força centrifuga:

Desta demonstração podemos dizer que a velocidade depende da massa M e diminui a medida que o raio R aumenta. Por isso a velocidade de translação da Terra é maior que a de Netuno. A massa significativa ai é a do SOL.

Qual a relação disso com a cinemática das estrelas e a matéria escura ?

A maior parte da massa (matéria bariônica) de uma galáxia está mais próxima do seu centro do que no limite externo do seu disco. Pois bem, se medirmos a velocidade de translação de uma estrela no limite do disco e comparar com a velocidade de uma estrela mais próxima ao centro, usando a fórmula acima veríamos que a estrela mais próxima ao centro tem uma velocidade de translação maior.

Mas não é isso que acontece! As medições desse tipo indicam que as velocidades se mantem mais ou menos constantes. Para que isso ocorra precisaria haver mais massa bariônica no limite do disco e não é isso que se vê. Levando em consideração a massa de todas as estrelas e gases presentes, ainda assim faltaria muita massa para justificar tal velocidade.

O motivo então seria a presença da Matéria Escura. A idéia mais aceita é que existe um halo de materia escura entorno da galáxia.

Claro que o cálculo de rotação de uma galáxia é mais elaborado que essa demonstração. Mas a idéia principal permanece, veja esse grafico da velocidades observadas na galáxia UGC05721 no artigo "Rotação de galáxias e matéria escura" de Alejandro Hernández-Arboleda e Davi C. Rodrigues. As velocidades não diminuem com o aumento da distância.


  • Dinâmica de aglomerados Galácticos
As galáxias que fazem parte de aglomerados não estão paradas, elas giram entorno de um centro. A idéia aqui é a mesma da cinemática das estrelas. As velocidades medidas das galáxias só são justificadas com a presença da matéria escura, pois a soma da matéria bariônica não justifica tais velocidades.
  • Temperatura dos gases em aglomerados Galácticos
Os aglomerados de Galáxias ainda nos dão uma outra evidência da matéria escura. A temperatura dos gases intra-aglomerado. Em última instância a temperatura de um gás é o nível da agitação das partículas e observou-se que a matéria bariônica ali presente não seria suficiente para tornar o gás tão quente, portanto a matéria escuro estaria ali presente.

Céus limpos

@astronomiaNoCerrado

Saturday, October 2, 2021

Da Bariogénese à consciência do Cosmos

É possível traçar um paralelo entre a evolução da Astronomia e da Humanidade no que diz respeito a forma que nos vemos nesse Planeta. Saímos de épocas de escuridão, onde achávamos que éramos o centro de tudo, navegamos em mares iluminados e percebemos que somos parte de um todo. Com a ajuda da Física, da Filosofia e de outras ciências nos encontramos num processo de entendimento das Leis Naturais buscando nossa consciência como seres de vida avançada.

Com um certo senso de consciência coletiva ou de brevidade, muitos deixaram o seu melhor para nós na arte e na ciência, transformando para melhor nossa "cultura humana".

Estamos sempre comprimindo a mola, estamos adicionando a tensão necessária para que haja transformação em algum momento. Vez ou outra navegamos pela cegueira intelectual: o fracasso que deve ser escondido, o imperfeito excluído de nossas vidas.

Pois bem, digo-lhes que os fracassos e as imperfeições são características fundamentais no processo evolutivo do Cosmos e foram catalisadores de transformações. O Cosmos deixou para trás um mundo hostil, época de grande densidade de radiação e matéria bariônica ,fracassou por bilhões de anos, por uma infinidade de reações químicas até conseguir uns dos seus sucessos que foi a vida e em seguida sua consciência através da vida avançada.

Não sabemos qual o próximo passo nessa caminhada evolutiva do Cosmos, o que virá no pós- consciência. Mas é provavel que as grandes transformações venham catalizadas pelo imperfeito e o fracasso.

Acredito que se tivermos consciência de nossa finitude como matéria desse Cosmos e decidirmos deixar nosso melhor legado, estaremos mais próximo das respostas ou ao menos deixaremos para trás mais rapidamente os momentos de cegueira intelectual. Ficaremos mais perto do próximo passo evolutivo, sentiremos que somos guardiões da vida em um Planeta raro. E mais do isso, que somos os únicos exemplares da espécie Humana!

Céus limpos

@astronomiaNoCerrado

Tuesday, September 21, 2021

Nebulosa Cabeça de Cavalo

A famosa região da Cabeça de Cavalo na constelação de Orion está localizada a 1.500 anos-luz da Terra na proximidade de uma das "As Três Marias", a estrela Alnitak (Zeta Orionis), que na realidade não é uma única estrela, mas um sistema triplo onde sua primária possui 28 vezes mais massa que o nosso Sol.

A formação que dá origem ao nome dessa região é em si uma nebulosa escura, grande porção densa de poeira e gás que absorve boa parte da luz que a ilumina vinda da estrela Sigma Orionis, esculpida por ventos e radiação estelares.


A região também possui uma enorme quantidade de Hidrogênio, que ionizado pela energia liberada pelas estrelas próximas dão uma tonalidade avermelha na imagem.


Foram 3 horas de captura durante a lua cheia e usando filtro banda de banda estreita L-Enhance.

Céus limpos

@astronomiaNoCerrado

Tuesday, September 14, 2021

Astronomia: Um ensaio sobre Ciência e Fé

Esse não é um texto sobre religião e sim sobre acreditar em algo que não se vê, que não se mede e que nem mesmo sabemos se realmente existe. A fé não só não se sobrepõe a ciência como é essencial, sem ela não há busca pelo desconhecido, pelo novo e pela evolução das leis que regem o universo. Precisamos simplesmente crer que a ignorância do ser humano de hoje será superada um dia e trará luz sobre a incompreensão.

A astronomia de nossos ancestrais nasceu da fé, quando os povos antigos observavam as danças das estrelas, cometas, planetas e buscavam o entendimento. Naquela época sem a compreensão das leis da Física, só podiam crer que havia alguma explicação para tudo aquilo.

A ciência Astronomia avançou muito com a ajuda de Kepler, Galileu, Isaac Newton, Einstein e tantos outros gênios da ciência que ajudaram a humanidade e descrever a dança do universo com as leis essenciais da física. Mas ainda assim há de termos fé pois mesmo após alguns milênios ainda não estamos nem perto de compreender questões essenciais como a se estamos sozinhos nesse universo, qual foi a Primeira Causa para que aquele universo denso se expandisse dando origem a tudo, é possível o tudo nascer do nada? Simplesmente temos que ter fé que a ciência não é finita e completa, portanto estar abertos a todas as possibilidades de respostas.

Observar o cosmos é tão intrigante quanto fascinante. Ao mesmo tempo que um olhar quantitativo do universo desperta uma sensação de insignificância, também paramos para pensar o quão raro é a vida. Foram bilhões de anos onde um infinito de experiências físicas e químicas tiveram que ocorrer e falhar para estarmos aqui hoje. Esse fato deveria nos trazer um sentimento de gratidão.

Parafraseando Carl Sagan, somos formados por restos de estrelas mortas. Sabemos disso pois a ciência já descobriu que aquilo que nos forma biologicamente está presente em abundância no Cosmos. E os sentimentos? O que une o carbono ao amor?

Hoje apenas a fé. Para essa ponte muitos dão o nome de Espiritualidade. Não falo da religião, mas das características ainda inexplicáveis pela ciência que a vida avançada adquiriu com a evolução: amar, ter consciência de si e do mundo e ter fé.


Céus limpos
@astronomiaNoCerrado

Monday, September 6, 2021

Limite Astrobiológico Copernicano

Quantas civilizações inteligentes podem haver por ai na Via Láctea ?

Em 2020 um artigo científico chamado The Astrobiological Copernican Weak and Strong Limits for Extraterrestrial Intelligent Life trouxe uma abordagem atualizada da Equação de Drake para determinar o número de possíveis civilizações inteligentes em nossa galáxia.

A ideia desse post não é trazer o conteúdo desse artigo e sim fazer nossas próprias estimativas usando o modelo matemático proposto:

N = Nt * fl * fhz * fm * (L/τ')

Onde

N = É o número de civilizações inteligentes no momento em nossa galáxia.

Nt= Total de estrelas em nossa galáxia.

fl= Porcentagem de estrelas que possuem +5 bilhões de anos.

fhz= Porcentagem de estrelas que podem ter um planeta capaz de suportar vida.

fm= Porcentagem desses planetas que podem ter metais suficientes para desenvolvimento de vida avançada.

L = Tempo que uma civilização inteligente precisa para desenvolver formas de comunicação.

τ'= Tempo necessário para a vida inteligente se desenvolver em um planeta até ser possível se comunicar.

Tudo posto na mesa, vamos a estimativa. 

Consideremos que existam por volta de 100 bilhões de estrelas em nossa galáxia. 10% dessas estrelas seriam anãs amarelas como o nosso Sol e portanto idade aproximada, estimativas usando dados do telescópio Kepler sugerem que podem haver 300 milhões de exoplanetas habitáveis e vamos assumir que 50% deles teriam metais para o desenvolvimento de vida avançada. Sabemos de evidências de vida na Terra que datam de aproximadamente 3.5 bilhões de anos atrás e portanto podemos estimar que o tempo necessário pata o surgimento da vida seja de no mínimo 1 bilhão de anos. Mas vamos adicionar mais 3 bilhões de anos nessa conta, já que esse é o tempo total que conhecemos para o surgimento de vida avançada (nós? 😅)

Por fim, usando novamente a humanidade como exemplo podemos dizer que seriam necessário ao menos uns 100 anos para criarmos nossos sistemas de comunicação inteligentes.

Colocando tudo isso no modelo, temos um total de 38 civilizações inteligentes por ai! 👽👽👽

Vamos extrapolar mais um pouco. Digamos que a Via Láctea tenha um volume de um cilindro de 50mil anos-luz de raio e mil anos-luz de altura. Portanto 7 x 10^12 anos-luz^3.

Qual a probabilidade de uma civilização estar a 4 anos-luz de nós ? (Estrelas mais próxima depois do Sol). Podemos assumir que seria 

P = Volume De uma Esfera de 4anos-luz de raio / Volume da Via Láctea

Então a probabilidade seria de 3 x 10^-9 %. O que ajuda a explicar porque ainda não achamos nada! Mais fácil ganhar na Mega-sena!

Valeu a brincadeira.

Obs: A estimativa no artigo fala em 36 civilizações em condições mais restritas. Então nossa conta não ficou muito fora.

Céus limpos!

@astronomiaNoCerrado

Monday, August 23, 2021

Nebulosa do Pelicano

Muitos astrônomos amadores nem tirariam seus equipamentos da caixa para tentar capturar algum objeto de céu profundo durante o pico da Lua cheia. Isso é que se escuta e se lê por ai... resolvi testar eu mesmo e tirar minhas conclusões.

Joguei tudo no bagageiro da rural e parti para dentro do cerrado goiano em um céu bortle 5. Planejei tentar um astro que ficasse o  mais distante possível da Lua no céu, que me permitisse algumas horas de trabalho e que fosse uma nebulosa de emissão, já que eu iria usar um filtro de banda estreita.

A escolha foi a Nebulosa do Pelicano. Região de emissão na constelação de Cisne (próxima a estrela Deneb) situada a 2.000 anos-luz da Terra. Essa é uma região de HII, caractetizada pela presença de gases Hidrogênio ionizado (principalmente na linha H-alpha) e Helio, que em Pelicano estão se tornando mais quentes gradativamente devido a presença de estrelas jovens e quentes.

Espera-se desse tipo de região uma tonalidade mais rosada/avermelhada (devido as linhas de Hidrogênio e He). Mas é possível também observar regiões menores em outras tonalidades.


A curiosidade que trago aqui é uma estrutura (aparenta um filamento) na parte de trás da cabeça do pelicano cósmico. Esse tipo de estrutura é comum em regiões HII. Foi catalogada como IC5067 e se estende por 10 anos-luz!


Foram aproximadamente 7 horas de captura durante duas noites de Lua cheia! Acho que valeu a pena!

Céus limpos!

@astronomiaNoCerrado

Wednesday, August 11, 2021

Nebulosa da Cobra

Região na constelação de Ophiucus onde o contraste entre o campo estrelado e as porções do cosmo onde a luz não consegue atravessar a enorme quantidade de poeira, dá origem a Nebulosa escura da Cobra.

Impressionante a quantidade de estrelas que vemos nesse pequeno campo de menos de 3x2 graus não é?  E ainda sim uma porção muito pequena das centenas de bilhões de estrelas da nossa Via Láctea!!


Céus limpos!

@astronomianocerrado


Monday, August 9, 2021

Nebulosa do Véu (Parte Oriental)

Exatamente em Agosto de 2020 capturei a parte ocidental desse remanescente de supernova contendo NGC6990 e Pickering's Triangule, que pode ser visto nesse post Nebulosa do Véu Ocidental. Depois de longos 12 meses de espera, trago aqui a porção oriental (NGC6995) dessa grande nebulosa descoberta por William Herschel no século XVIII.



Todas as partes dessa nebulosa se projetam por um campo bastante grande de aproximadamente 3 graus, muito além do que meu pequeno refrator consegue capturar. Assim que puder e tiver um equipamento mais apropriado, trago todo o complexo em uma única imagem.

Céus limpos a todos

@astronomiaNoCerrado

Sunday, August 8, 2021

Galáxia de Andrômeda, efeito doppler e expansão do universo

Estava em dívida com Andrômeda desde de minha última e única tentativa de captura-la! as falhas foram tantas que a fotografia nem de longe conseguia apresentar as belezas dessa nossa vizinha.

Além de apresentar minha mais recente captura dessa gigante espiral com massa solar estimada superior a da nossa própria galáxia, vale comentar rapidamente sobre expansão do universo e efeito doppler.

Galáxia de Andrômeda. Foram 4 horas de captura.

Sabemos que segundo a teoria da relatividade de Einstein e os trabalhos experimentais de Hubble é forte a teoria de que o universo está em expansão, mas como se sabe disso ? Resumindo a história, Hubble identificou que havia uma diferença, um deslocamento para o vermelho, das ondas de luz analisadas de todas as galáxias. Esse resultado na mudança da frequência/comprimento de onda da luz em relação ao observador (nós) e a fonte (galáxia) é explicado pelo efeito doppler (na Cosmologia recebe o nome de Expansão Cosmológica). E como ele é para o vermelho, significa que as galáxias estão se afastando de nós! portanto o universo está em expansão.

ENTRETANTO ... Andrômeda (e algumas outras galáxias) possuem um deslocamento para o azul! E isso significa que o observador e a fonte estão se aproximando. Então a teoria de expansão do universo está errada ? 

A resposta é NÃO. Na verdade o que se sabe é que o deslocamento para o azul realmente acontece devido ao efeito da gravidade entre galáxias que fazem parte do mesmo grupo local ou que estão próximas, como é o caso da Via Láctea e Andrômeda. Quando se analisa galáxias mais distantes, o deslocamento é para o vermelho.

Céus limpos a todos

@astronomiaNoCerrado

Monday, August 2, 2021

ARP 271 e a Supernova 2021pfs

Este é um mundo distante. Localizado nos confins do universo observável com mais de 13 bilhões de anos de idade, ARP 271 é a designação dada a duas galáxias (NGC5426 e NGC5427) que estão interagindo a 60mil anos luz de distância uma da outra.  É possível notar que já há uma troca de gases/matéria entre elas, formando mais estrelas jovens e quentes dando essa tonalidade azul no braços da espiral.

Esse é um alvo bastante tênue e com tamanho aparente bastante pequeno para o equipamento que possuo, mas resolvi captura-lo para registrar aqui um supernova que foi descoberta em Junho desse ano pelo Zwicky Transient Facility (ZTF).

A Supernova 2021pfs é do tipo Ia e possui magnitude 14, acontece em um sistema binário de estrelas. Geralmente uma anã branca que está atraindo gases de sua companheira gigante vermelha. O acúmulo desse material vai aumentando a massa da anã e então ao ultrapassar o limite crítico de 1.44 massas solares, acontece a supernova.

Foram 5 horas capturando sinal desses mundos distantes!

NGC5426 e NGC5427

ARP271 e SN 2021pfs

Céus limpos a todos!
@astronomiaNoCerrado

Tuesday, July 13, 2021

Encontro de Astrofotografia na Chapada dos Veadeiros - Noite 3

O nascer e o pôr do sol nessas terras de altitude goianas são igualmente belos!

O sol surge no horizonte abrindo nosso terceiro e último dia!

Estive na companhia do amigo Renato durante esse encontro e  que mais uma vez foi companheiro de bons papos! Esse refletor 200mm estava com ele, depois acessem @renatosouza82 para olharem também suas capturas.

Meu equipamento durante essas três noites:

  • OTA: C8
  • MONTAGEM: CEM60
  • CÂMERA DE CAPTURA: Zwo Asi 2600MC
  • CÂMERA DE GUIAGEM: Zwo Asi 224
  • GUIDER: Zwo GuideSpoce 280mm
  • FOCALiZADOR; Zwo EAF
  • REDUTOR: 0.63x

A idéia foi aproveitar os 1274mm efetivos desse setup para capturar astros com tamanho aparente reduzido. Para essa noite segui com o plano!

Essa é a Galáxia do Redemoinho  M51 e sua companheira menor NGC5195 na constelação de Cães de Caça, localizada próxima a Ursa Maior. Acredita-se que seus braços espirais sejam compridos devido a interação entre as duas galáxias. Recentemente se especulou sobre a possibilidade de cientistas terem descoberto o primeiro exoplaneta fora da Via Láctea, foi batizado de M51-ULS-1b.


Nebulosa Planetária Helix, apelidada de "Olho de Deus" devido ao seu formato, é resultado de gases sendo liberados de uma estrela de pouca massa em fase final de sua vida.



E para fechar com chave de ouro, na minha opinião uma das galáxias mais bonitas: Escultor! Possui um raio aproximado de 45mil anos-luz e está localizada a 12 milhões de anoz-luz de nós. Por ser uma das galáxias mais próximas tem sido alvo de cientistas na busca por galáxias anãs. Recentemente foram encontradas Donatiello II, III e IV próximas a Escultor.


Céus limpos para todos
@astronomianocerrado

Monday, July 12, 2021

Encontro de Astrofotografia na Chapada dos Veadeiros - Noite 2

Com o sol indo se esconder atrás do Morro da Baleia, entramos na segunda noite! Mais uma vez as nuvens foram embora e logo chegou o frio. Pegamos temperaturas de 6/7 graus.

A noite hoje está reservada para as galáxias. Os 1274mm de distância focal do C8 com redutor são perfeitos para esse tipo de objeto. Fui atrás de duas pequenas galáxias (NGC4567 e NGC4568) que estão em rota de colisão e irão se fundir. São galáxias espirais que fazem parte do grupo local de galáxias em Virgem


Ainda nesse campo de visão é possível notar a presença de mais duas pequenas galáxias desse grupo de Virgem, que deixo identificadas nessa imagem.


Após 3 horas capturando sinal das galáxias em colisão, sigo para uma galáxia espiral na constelação do Pavão. A aparência da nossa Via Láctea seria muito semelhante a NGC6744. A região central em cor mais amarelada é formada principalmente de estrelas mais velhas e frias, ao contrário dos braços de cor mais azulada que possui estrelas mais jovens e quentes. Assim como a Via Láctea que possui a grande Nuvem de Magalhães como uma galáxia satélite, a NGC6744 também possui e pode ser observada nessa imagem (uma pequena nuvem mais abaixo da galáxia no sentido do canto inferior direito)

Céus limpos a todos!

@astronomiaNoCerrado


Sunday, July 11, 2021

Encontro de Astrofotografia na Chapada dos Veadeiros - Noite 1

E lá vamos nós mais uma vez para a Chapada dos Veadeiros passar frio e dormir pouco 😀! Adicione muito papo, boas risadas e uma boa dose de apreciação do céu e você terá uma idéia desse encontro de amigos e colegas entusiastas da astronomia e astrofotografia.

Foram 3 noites de capturas de diversos tipos de astros: Galáxias, Nebulosas de Emissão, Nebulosas Planetarias, Aglomerados e uma dose de observação em um telescópio muito bem apelidado de Olhão! 

Deixarei aqui um total de 3 posts com minhas capturas durante esse encontro!

Omega Centauri é um aglomerado de milhões de estrelas, estimas-se ter uma massa correspondente a aproximadamente 5 milhões de massas solares. Pode ser um objeto remanescente, resultado da captura de uma pequena galáxia próxima a Via Láctea.

É um objeto de céu profundo que pode ser visto a olho nú em um céu escuro como o da Chapada dos Veadeiros. A curiosidade é em relação a sua provável trajetória, acredita-se que sua trajetória não acompanha o movimento dos braços da Via Láctea, sua trajetória possui um ângulo que faz com que Omega Centauri atravesse os braços da nossa galáxia.

A Nebulosa de emissão Crescente está localizada na constelação do Cisne e é  resultado das ondas de colisão de ventos estelares com diferentes velocidades oriundos da estrela HD192163.


O Olhão 


Céus limpos a todos

@astronomiaNoCerrado

Friday, June 25, 2021

HFR, FWHM, Excentricidade, SNR, Dawes Limit


Astrofotografia é um hobby prazeroso, mas dá para complicar 😁. Na busca pelo aperfeiçoamento das técnicas de captura e processamento de imagens é inevitável se deparar com uma sopa de letrinhas e conceitos. Listo alguns que para mim são mais relevantes e que utilizo na maioria das vezes para ajustar o equipamento durante as noites de captura e processamento.

Excentricidade

Excentricidade de uma estrela indica o quão próximo de estar em formato circular ela está, o valor varia de 0 a 1. Algumas referências indicam que algo por volta de até 0.4 é perfeitamente circular para nossos olhos. Para valores muito acima disso, veremos estrelas não circulares. Isso pode indicar algum tilt no conjunto óptico, erro grande de guiagem, colimação ruim, etc.

Dawes Limit

Esse é o limite de resolução do seu sistema óptico. Se você pratica astrofotografia planetária, quanto menor esse valor melhor será a capacidade de capturar detalhes dos objetos. Isso porque as técnicas de captura (Lucky Framing) conseguem "driblar" condições em média não muito boas de seeing, através da velocidade de captura. Mas se você é praticante de astrofotografia de céu profundo, ter um Dawes Limit pequeno faz sentido se em média você também possui um céu com ótimo seeing, caso contrário sua capacidade de resolver detalhes dos objetos ficará limitado as técnicas de pós-processamento.
O ideal é que seu conjunto óptico ( ota + reducer/barlow + pixel size) respeite esse limite.

FWHM

Full Width at Half Maximum. Dado um pulso de fluxo emitido por uma estrela, mede-se a largura desse fluxo espectral entre valores extremos, quanto menor esse valor em tese mais pontual está a estrela. Essa métrica é utilizada por alguns algoritmos para ajustar o foco do seu conjunto óptico. Tenho visto essa métrica ser representada em duas unidades: Pixel(px) ou arcsec/px. No primeiro, valores grandes (ex: 10px) podem indicar uma condição de oversampling, ou seja, muitos pixels estão sendo usados para representar a informação, as estrelas podem parecer fora de foco, maiores e mais tênues. Nesse caso técnicas de processamento como Deconvolução podem ajudar a recuperar detalhes e nitidez. Números muito pequenos (ex >1px) podem indicar undersampling, suas estrelas podem aparecer com formatos não circulares. Nesse caso técnicas como Drizzle podem ajudar. Tenho visto que valores entre 2 e 3px são ideais, mas não diria que há consenso. Quando a métrica é dada em arcsec/px nos ajuda a ter uma idéia da qualidade do céu, condições de seeing. Isso porque é possível aproximar FWHM como: 

FWHM' = SQRT(Seeing^2 + Dawes  Limit^2 +

Erro de Guiagem^2 + Escala de Resolução^2).


As variáveis Dawes Limit, Erro de Guiagem e Escala de Resolução podemos considerar que são fixas ou então mais facilmente controladas. Sobra então Seeing, fica fácil saber qual será seu melhor FWHM para condições de seeing muito boas e o quão longe você está disso em uma determinada noite de captura. No meu caso, em condições de seeing muito boas minha melhor estimativa de FWHM seria:

  • C8/f6.3+ASI2600, FWHM = SQRT(0.5^2 + 0.57^2 + 0.3^2 + 0.61^2) = 1'/px
  • 80mm/f6+ASI2600,  FWHM = SQRT(0.5^2 + 1.45^2 + 0.3^2 + 1.61^2) = 2.2'/px

 Valores acima disso podem significar condições piores de seeing.

HFR/HFD

Half Flux Radius/Diameter. De maneira simples, essa é a medida do raio da estrela. Essa métrica é muito utilizada por algoritmos para ajustar o foco do seu conjunto óptico. Quanto menor, melhor seu ajuste de foco. Alguns softwares conseguem monitorar esse valor de um conjunto de estrelas em cada frame de captura. É importante monitora-lo para verificar a necessidade de refazer o foco durante a noite. Em certas condições como mudança de temperatura, pode ser necessário.

SNR

Signal to Noise Ratio. Essa é a relação sinal/ruído. Acho que o mais relevante é entender que a razão cresce com a raiz da quantidade de sinal que é capturada. Isso significa que para você aumentar essa razão significativamente você acaba precisando de MUITAS horas de captura. Isso pode dizer que é hora de parar e mudar de alvo ou que você precisa comprar um OTA de maior abertura 😅

Não tente perseguir uma dessas medidas do setup do seu amigo, é possível perceber que a maior parte delas é dependente de cada conjunto óptico/setup e portanto servem muito mais para comparação, ajustes do seu próprio setup, seleção de frames e processamento.

Céu limpo a todos
@astronomianocerrado

Wednesday, June 16, 2021

As cores do céu noturno

 

O processamento de imagens de céu profundo é algo complexo e na maioria das vezes controverso entre os praticantes de astrofotografia. Muitos optam por cores falsas em nome da arte, outros já preferem "melhorar" as cores originais e uns poucos deixam as cores mais naturais.

Não existe um certo ou errado, pior ou melhor. Existe o gosto pessoal de cada um e o objetivo que quer atingir com sua captura.

Entretanto diante de um universo de cores e tons, resolvi escrever um pouco sobre o que andei lendo/estudando sobre as cores do céu noturno (de um ponto de vista menos artístico) para que sirva de comparação/informação quando forem admirar a obra de alguém. Saber o que é real, natural, cores falsas, etc. Enfim, pode-se entender mais do céu profundo pelas cores.

Céu

Não é preto! O céu visto em um local bem escuro Bortle1/2 com os olhos adaptados aparenta uma coloração cinza escuro. Entretanto um efeito chamado de "airglow", que é provocado pela incidência de raios cósmicos e/ou da luz refletida pela Lua na atmosfera, pode adicionar uma coloração levemente para o vermelho, verde ou azul. 

Nebulosas de Emissão

Nebulosas de emissão podem apresentar diversas cores dependendo de sua composição de gases e intensidade da absorção da luz pela nuvem de poeira que a forma.

  • Vermelho/Rosa: Predominância Hidrogênio H-Alpha, absorção de H-Beta e H-Gamma pela nuvem de poeira.
  • Magenta, Azul-claro: Hidrogênio  H-Alpha + H-Beta + H-Gamma, com pouca absorção pela nuvem de poeira.
  • Rosa: Hidrogênio  H-Alpha + H-Beta + H-Gamma + Oxigênio (OIII) ou Enxofre (SII).
  • Laranja, Marrom: Nuvem de poeira.
  • Verde: Abundância de Oxigênio (OIII).
  • Verde / Azul: Presença de HeI / HeII

Nebulosas de Reflexão

Esses objetos de céu profundo tendem sempre para a coloração azul, pois é a tonalidade que se espalha predominantemente pelas pequenas partículas de poeira quando a luz das estrelas próximas são refletidas.

Galáxias

As galáxias de maneira geral tendem para as cores azul, amarelo e vermelho. A cor e a intensidade está diretamente ligada ao espectro das estrelas predominantes. Em geral galáxias espirais e irregulares tendem ao azul pois possuem estrelas mais jovens e maiores. O vermelho/amarelo é mais predominante nas galáxias elípticas, pois possuem uma população de estrelas mais velhas, menores e mais tênues.

É comum observar cores diferentes na mesma galáxia. Por exemplo, em uma galáxia espiral pode-se notar os braços espirais em azul e a região do bojo/central em amarelo/vermelho, seguindo a mesma lógica da população de estrelas ali presentes.

Estrelas

Estrelas podem emitir sua luz em diversos comprimentos de onda, definindo sua cor de acordo com a temperatura da sua superfície

  • Azul:  Acrux (24.000K)
  • Azul-Branco: Spica (20.900K)
  • Branco: Vega (9.600K)
  • Branco-Amarelo: Canopus (7.350K)
  • Amarelo: Cepalla (5.700K)
  • Laranja: Arcturus (4.290K)
  • Vermelho: Antares (3.800K)


Céu limpo a todos!

@astronomianocerrado

Monday, June 14, 2021

Cabeça de Cavalo Azul

Nebulosa de reflexão Cabeça de Cavalo Azul está localizada na constelação de Escorpião, próxima a estrela Antares, que poder facilmente localizada no céu noturno. A coloração azul (na faixa dos 445nm) vem da reflexãoda luz emitida pelas estrelas que a compõe, principalmente a estrela Jabbah (olho do cavalo. Jabbah é uma enorme estrela com aproximadamente 9xMsol, com temperatura superficial de 10.000 a 25.000K emitindo uma coloração azul.

Esse objeto é bastante tênue, com regiões escuras ou emitindo uma coloração verde/amarelo na faixa dos 551nm de comprimento de onda devida a abundância de Oxigênio. Difícil de enquadrar em um campo ajustado como o do meu apocromático 80mm.  Entre as idas e vindas das nuvens nesse mês de junho, consegui capturar 2h30m de sinal dessa nebulosa:


Está localizada a 400 anos-luz de distância e possui um raio de aproximadamente 40 anos-luz. O campo desse objeto é bastante grande, o ideal seria capturar com uma distância focal ainda inferior aos 480mm do meu refrator.

Céus limpos a todos!

@astronomiaNocerrado

Sunday, June 6, 2021

Já era hora do C8!

Já era hora de tirar o C8 do case e coloca-lo para registrar o cosmos! Estava só aguardando o novo focalizador eletrônico chegar para esse OTA começar a ocupar espaço novamente no bagageiro da rural 😀.


Tive uma ótima experiência com o ZWO EAF que instalei recentemente também no refrator 80mm e portanto resolvi comprar mais um com o bracket para C8. Instalação sem maiores problemas, o novo EAF agora não precisa mais de fonte 12v e pode ser usado diretamente na porta USB da câmera.


Como já levei o focalizador instalado, joguei ele para a posição 0 (inwards) e fui movendo 1000 steps outwards para tentar achar um foco grosseiro antes de iniciar o processo de autofocus, mas não consegui. Resolvi então afrouxar os parafusos e manualmente encontrei o foco grosseiro, reapertei tudo e ai a coisa funcionou de acordo.


Galáxia Centaurus A. Localizada na constelação de Centaurus, essa galáxia lenticular possui um tamanho aproximado de metade da Via Láctea e está distante de nós 13 milhões de anos-luz. Usando o Telescópio Espacial Spitzer os cientistas confirmaram que Centaurus A está atravessando uma colisão galáctica devorando uma galáxia espiral.



Galáxia do Sombrero. Essa espiral está ainda mais distante de nós, cerca de 30 milhões de anos-luz e é ainda menor que a Centaurus A. Esse nome foi dado a ela pois aparenta um chapéu.



Nebulosa Trifida. Esse é um objeto interessante pois apresenta uma nebulosa de emissão (vermelho), reflexão (azul) e nebulosa escura (as lacunas na nebulosa de emissão). Situada na constelação de Sagitário, pode até ser identificada a olho nu em um céu bem escuro.

Céus limpos a todos!
@astronomianocerrado

Tuesday, May 18, 2021

Via Láctea e alguns astros

Observar o céu noturno estrelado é uma terapia,  sua dinâmica, constelações e astros que viajam pelo cosmos tornam cada noite única.

A maioria das pessoas que não tem o costume de olhar para as estrelas não tem muito idéia de onde estão localizados os astros. Fiz esse registro da Via Láctea e aproveito para indicar a localização de alguns mais conhecidos que estão presentes nesse mês no céu.


Procure um céu bem escuro e tente localiza-los! 

Céu limpo a todos

@astronomianocerrado

Sunday, May 16, 2021

Galáxia Cata-Vento do Sul (M83)

Longa data desde que fui fotografar acompanhado de um amigo, sempre boas conversas (e foram muitas, as nuvens atrapalharam bastante! E claro que não poderia faltar a presença canina! 😂. Sorte que aparentemente os cães da chapada dos veadeiros são bem mais tranquilos.

Sempre que posso ir fotografar no céu da Chapada do Veadeiros procuro dar prioridade para as galáxias, porém nesse dia estava apenas com o refrator 80mm f/6. Elas merecem pelos uns 1000mm!

A Galáxia Espiral barrada Cata-Vento do Sul situa-se a 15 milhões de anos-luz de nós em direção a constelação de Hydra.  Possui aproximadamente a metade do diâmetro da Via Láctea.



Foram 4 horas de captura.

Céus limpos!

@astronomianocerrado

Monday, May 3, 2021

Nebulosa Pata de Gato

Previsão de céu limpo, hora de colocar meu observatório móvel na estrada e seguir para longe da PL de Brasília.

Devidamente estacionado entre alguns morros há mais ou menos 100km de Brasilia, aguardo a noite chegar para iniciar a captura de hoje. NEBULOSA PATA DE GATO.


A Nebulosa Pata de Gato é uma região e grande emissão de hidrogênio ionizado na constelação de Escorpião, por isso sua coloração avermelhada. Para se ter uma ideia do tamanho dessa nuvem de gás, a luz demoraria aproximadamente 40 anos para conseguir atravessa-la.

Essa é uma região de grande formação estelar, possui aproximadamente 10mil estrelas e muitas delas com massa equivalente a 10 massas solares. Para essa foto capturei 4 horas  de sinal vindo do cosmos!

Céus limpos a todos!

@astronomianocerrado

Monday, April 26, 2021

Nebulosa da Lagosta


Abrindo a temporada de busca pelos abjetos mais incríveis do cosmos, inicio minha jornada esse ano com algumas novidades no equipamento. A nova câmera ASI2600MC e o novo focalizador eletrônico comandados pelo software de captura N.I.NA são as maiores novidades.

Como de costume, me instalo no coração do Brasil. O cerrado brasileiro já dá as boas vindas com uma boa janela de 4 horas de céu limpo para o inicio dos trabalhos.

O N.I.NA foi uma grande surpresa, não pretendo mais voltar para o APT. O motivo da mudança foi a incompatibilidade do APT com a ASI2600, muitos bugs ao usar com driver nativo da ZWO. Há possibilidade de usar com ASCOM, porém o novo processo de autofocus do APT também não me agradou. Resolvi mudar.

Com esse novo setup decidi por tentar frames mais longos que o de costume, já que os arquivos da ASI2600 são muito grandes, acabam usando muito espaço em disco. Para esse First-Light optei por 420s.

A captura foi iniciada já por volta de meia-noite, as primeiras horas foram perdidas pois surgiram muitas nuvens na região da constelação de Escorpião.  Totalizo 38 frames de 420s da Nebulosa da Lagosta (NGC6357), ao final do processamento resultou nessa imagem:



A Nebulosa da Lagosta se encontra a aproximadamente 8000 anos-luz, é uma região de grande formação estelar emitindo radiação ultravioleta e dando uma tonalidade avermelhada para o hidrogênio gasoso.

Céus limpos a todos

@astronomianocerrado

Um grupo de amigos e um céu escuro faz o tempo desaparecer!

O criador da Teoria da Relatividade, Albert Einstein, referia-se ao fato de o tempo ser relativo, vinculando-o à velocidade. Como fazer a no...