Monday, May 3, 2021

Nebulosa Pata de Gato

Previsão de céu limpo, hora de colocar meu observatório móvel na estrada e seguir para longe da PL de Brasília.

Devidamente estacionado entre alguns morros há mais ou menos 100km de Brasilia, aguardo a noite chegar para iniciar a captura de hoje. NEBULOSA PATA DE GATO.


A Nebulosa Pata de Gato é uma região e grande emissão de hidrogênio ionizado na constelação de Escorpião, por isso sua coloração avermelhada. Para se ter uma ideia do tamanho dessa nuvem de gás, a luz demoraria aproximadamente 40 anos para conseguir atravessa-la.

Essa é uma região de grande formação estelar, possui aproximadamente 10mil estrelas e muitas delas com massa equivalente a 10 massas solares. Para essa foto capturei 4 horas  de sinal vindo do cosmos!

Céus limpos a todos!

@astronomianocerrado

Monday, April 26, 2021

Nebulosa da Lagosta


Abrindo a temporada de busca pelos abjetos mais incríveis do cosmos, inicio minha jornada esse ano com algumas novidades no equipamento. A nova câmera ASI2600MC e o novo focalizador eletrônico comandados pelo software de captura N.I.NA são as maiores novidades.

Como de costume, me instalo no coração do Brasil. O cerrado brasileiro já dá as boas vindas com uma boa janela de 4 horas de céu limpo para o inicio dos trabalhos.

O N.I.NA foi uma grande surpresa, não pretendo mais voltar para o APT. O motivo da mudança foi a incompatibilidade do APT com a ASI2600, muitos bugs ao usar com driver nativo da ZWO. Há possibilidade de usar com ASCOM, porém o novo processo de autofocus do APT também não me agradou. Resolvi mudar.

Com esse novo setup decidi por tentar frames mais longos que o de costume, já que os arquivos da ASI2600 são muito grandes, acabam usando muito espaço em disco. Para esse First-Light optei por 420s.

A captura foi iniciada já por volta de meia-noite, as primeiras horas foram perdidas pois surgiram muitas nuvens na região da constelação de Escorpião.  Totalizo 38 frames de 420s da Nebulosa da Lagosta (NGC6357), ao final do processamento resultou nessa imagem:



A Nebulosa da Lagosta se encontra a aproximadamente 8000 anos-luz, é uma região de grande formação estelar emitindo radiação ultravioleta e dando uma tonalidade avermelhada para o hidrogênio gasoso.

Céus limpos a todos

@astronomianocerrado

Sunday, April 25, 2021

[Review] Ioptron Ipolar vale a pena ?

 

Sim! se você, assim como eu, precisa sempre se deslocar com seu equipamento para fotografar e muitas vezes terá uma única noite para aproveitar, acho que vale cada centavo.

O Ioptron Ipolar é um um acessório para auxiliar no processo de alinhamento polar da montagem equatorial. Antes de decidir compra-lo eu tinha duas dúvidas: O quão prático realmente é e a precisão do alinhamento.

Quanto a praticidade, feito o processo de detecção do centro da janela do software do Ipolar que consiste em girar e confirmar até 3 posições do eixo de RA, o alinhamento não demora mais que 1 minuto para ser feito! Basta ajustar a posição do Ipolar representada por uma cruz, com o polo (circulo)


Com a ajuda de uma bússola que me ajuda a calcular o offset e a posição do polo sul geográfico, consigo depois ajustar o alinhamento da montagem com o Ipolar em segundos! Claro que a câmera do Ipolar precisa ter visão do polo.

E quanto a precisão do alinhamento ?

O alinhamento possui boa precisão com o polo através de plate solving, deixo um exemplo da guiagem da minha montagem como uma idéia do que esperar


Perceba que o erro de acompanhamento é realmente pequeno. Claro que isso não depende apenas de um bom alinhamento polar, mas ele é fundamental. Eu não me lembro de ter conseguido erros reduzidos assim com o uso de drift.

Portanto, se seu tempo e precioso como o meu. Acho que vale muito a pena adquirir um Ipolar. O longos períodos de alinhamento por drift vão acabar!

Céus limpos a todos!
Que comece a temporada 2021!

@astronomianocerrado

Tuesday, December 8, 2020

O céu. O nosso patrimônio

 



O céu compõe com paisagens naturais e culturais, foi inspiração para mitos e histórias, foi catalizador da ciência, serviu como molde para hinos e cidades. O céu sempre foi inspiração para a vida. Mas por incrível que pareça não tem sido bem tratado, ele está sumindo entre prédios, fumaça e luminosidade excessiva. Talvez gerações em um futuro próximo não terão o mesmo direito de contemplar o firmamento ou terão de pagar grandes fortunas para poder ter acesso a essa paisagem que é talvez a mais democrática que existe.

O céu que se vê pode ser a diferença entre ter ou não um bom dia. Pode para muitos ser o único bom momento do dia.

Além dos limites daquele céu que se vê, ainda se percebe com a alma. Quantas vezes em nossas vidas não nos deparamos com aquele céu enorme (como dizia Lúcio Costa), onde o horizonte e o céu se encontram e e ali sentimos que há algo de especial. É... precisamos tratar o céu como um verdadeiro patrimônio!

@astronomianocerrado

Sunday, November 1, 2020

Novidades para a próxima temporada e as razões

Enquanto a chuva predomina por aqui na região resolvi avaliar a possibilidade de melhorias no equipamento para a próxima temporada em 2021. Mas antes de determinar equipamentos e especificações, preciso identificar parâmetros que devem ser melhorados. Outro ponto importante no meu caso é que parte dos equipamentos é compartilhado com dois OTAs bem distintos (apo 80mm e SCT C8), que uso para fotografia de céu profundo e planetária respectivamente.

Os parâmetros que decidi usar para pensar na melhoria dos equipamentos são:

  • Escala da imagem/Resolução arcsec/pixel
  • FWHN
  • Ruído da câmera
  • Excentricidade das estrelas
  • Velocidade da captura para planetária

Bom, dito isso vamos avaliar baseado nas capturas feitas nesse ano:

Primeiro é importante dizer que em média eu consigo fotografar em um céu bem escuro, boa transparência e bom seeing na Chapada dos Veadeiros. Portanto é razoável assumir que posso trabalhar com uma escala de pixel menor.  Para achar minha escala de pixel usei:

Escala = (Tamanho_do_Pixel / Dist Focal) * 206.3

Para o refrator a escala foi de 2.81 arcsec/px e para o C8 (1.05 arcsec - Canon 6D e redutor,  0.57arcsec/px para QHY5R II). O sistema de guiagem fica com uma escala de 6.83 arcsec/px.

Com esse sistema de escala para planetária acabo precisando usar uma barlow de 2.5x para trabalhar adequadamente com comprimentos de onda na faixa de 475-650nm, já que o comprimento focal do C8 não é tão longo assim, diminuindo muito o campo de visão.

Dist Focal = [(Abertura x Tamanho_do_Pixel)/(comprimento_de_onda * 1.22)] * 3

Ainda no campo de planetárias, com essa QHY não consigo velocidade de captura em resolução maior. Limitando a no máximo 100 FPS.

Voltando a atenção para astrofotografia de céu profundo observei o FWHM usando o refrator 80mm e gira por volta de 5-7" o que julgo como alto e a excentricidade das estrelas no centro do campo de visão não são melhores que 0.5. Portanto são dois parâmetros que podem ser melhorados.

Adicionalmente, o sistema de guiagem tanto para o C8 como para o Apocromático podem ter uma resolução mais próxima do sistema primário de captura. O que acredito que irá minimizar o erro durante a guiagem.

Para finalizar, o ruído apresentado pela minha Canon 6D modificada (sem filtro IR) era alto para frames >300s, tornando o processamento das imagens mais custoso do que eu acredito que possa ser.

Levando todos esses fatores em consideração decidi por fazer as seguintes mudanças no equipamento:

  • A QHY5R II será substituída por uma ZWO 224MC
  • O GuideSpoce Orion 169mm será substituído pelo ZWO GuideScope 280mm
  • A Canon 6D mod será substituída pela ZWO ASI 2600MC

A próxima temporada promete!

Céus limpos a todos!

@astronomianocerrado

Monday, October 19, 2020

Meteorito Lunar NWA 5000

 Esse é um pedacinho da Lua que coleciono, chegou por um colecionador da França. Acho que esse meteorito lunar é um dos mais bonitos que já vi devido a sua textura e coloração. Me remete sempre as observações lunares que faço.

Esse acondrito é proveniente das camadas mais superficiais da Lua, provavelmente se desprendeu do corpo parental depois de um impacto, e foi encontrado em 2007 no Marrocos. O material contido nesse meteorito possui 3.2 bilhões de anos, e foi sofrendo diferenciação.


Esse é um dos 89 meteoritos lunares reconhecidos e o segundo maior com massa total de aproximadamente 11kg. Curiosamente nenhum deles caiu em solo brasileiro, nem mesmo no continente latino.

@astronomianocerrado

Friday, October 9, 2020

Meteorito de Santa Filomena - PE

Em meados de Julho e Agosto de 2020 foram observadas três chuvas de meteoros na região de Santa Filomena - PE. Esse evento é raro por ter ocorrido tantas vezes em pouco tempo em uma mesma região e também por ter ocorrido em área urbana/povoada. A maior parte dos meteoritos que tocam a superfície do nosso planeta acabam no fundo dos oceanos ou em áreas não habitadas, tornando mais difícil encontra-los.

A chuva de meteoros chamou a atenção de todo o mundo, muitos pesquisadores e colecionadores lotaram a pequena cidade de 7mil habitantes dando inicio a uma verdadeira "corrida ao meteoro". Meteoritos chegaram a ser vendidos por centenas de milhares de reais em um mercado improvisado no posto de combustível da cidade. O grama inflacionou rapidamente e esse se tornou um meteorito caro. Além dessas questões financeiras, o Santa Filomena levantou questões sobre a venda e propriedade desses objetos.

É importante dizer que não há uma legislação específica no Brasil sobre o comercio desse tipo de artefato, prevalece o modelo dos EUA que da posse ao bem ao cidadão que o encontrou.

Consegui meu exemplar, é um Condrito Ordinário H. Os meteoritos Condritos são da época da formação do sistema solar, possuem aproximadamente 4 5 bilhões de ano. São chamados assim pois são formados por grânulos metais e minerais que existiam na época da formação do sistema solar e não sofreram modificações desde então.

Esse meteoritos são classificados de acordo com sua composição, principalmente na quantidade de Ferro-Níquel e de material orgânico.




Eles se formaram quando o Sol era ainda uma estrela jovem originado pelo colapso de uma nebulosa solar, envolto por um disco protoplanetário de gás e poeira. Toda essa matéria então começou a se aglutinar pela ação da gravidade - acreção - e mudanças de temperatura. Os menores deram origem aos asteróides e cometas, ja os mairoes detam origem a astros como os Planetas. Acredita-se que aqueles astros que foram se formando mais longe do Sol, a medida que ganhavam massa atraíram os gases ali presentes e deram origem aos planetas gasosos. Os que estavam mais próximo ao Sol, com presença menor de gases voláteis e mais silicatos deram origem aos planetas rochosos.

Portanto, meteoritos são importantes pois contam detalhes de como nosso sistema solar se formou, são verdadeiras caixas pretas vagando pelo espaço repletas de informação sobre o sistema solar primordial.


Essa crosta escura e em formato arredondado se formam em geral pela.passagem pela atmosfera terrestre.

@astronomianocerrado

Nebulosa da Borboleta

 A NGC 6302, também conhecida como Nebulosa da Borboleta ou Nebulosa do Inseto, é uma impressionante nebulosa planetária localizada na const...