Monday, April 25, 2022

Nebulosa da Carina unguided

Abrindo a temporada 2022 finalmente!

São Pedro deu uma pequena trégua aqui no cerradão goiano e tive uma janela de poucas horas para fazer uma captura. Já valeu, o objetivo principal era testar um SpaceCat que eu havia adquirido ainda em 2021 e não havia usado e mais recentemente um OAG para guiagem.

Bom, tive 50% de sucesso. O SpaceCat me surpreendeu! Estrelas com boa excentricidade  no campo todo! Fácil de transportar, leve, o foco funcionou bem usando ZWO EAF. Enfim, recomendo!

O problema foi com o ZWO OAG. Adquiri para usar com o meu C8 mas como já iria testar o SpaceCat, levei junto. Montei tudo de acordo com o recomendado pelo fabricante, usando o anéis de espaçamento indicados no manual, etc.

Durante a noite ao conectar a ZWO ASI 224 no PHD2 e tentar capturar estrelas.... nada! Apareciam uns pontinhos luminosos, que desapareciam no frame seguinte. Tentei de tudo, ajustei a posição do prisma, rotacionei o OAG, ajustei o focalizador helicoidal, ajustei o tempo de exposição, tirei novos darks, etc. Mas nada dava certo!

Por fim, para não perdeu a janela com bom tempo, capturei a Nebulosa da Carina sem guiagem.

No outro dia pela manhã, resolvi testar novamente o OAG. Vi que não conseguia foco a distância. E comecei a investigar. Troquei os anéis, mudei a posição do OAG, etc. Finalmente descobri o que era! Me parece que essas câmeras que não são as "Mini" da ZWO não podem ser usadas com o focalizador helicoidal do OAG. Quando tirei o focalizados e o adaptador da 224 e a rosqueei diretamente na base do OAG... voila! Consegui foco!

Zwo asi 224 roqueada na base do.zwo oag

Acredito que tenha sido esse o problema...mas na noite seguinte o tempo fechou e não consegui testar novamente. Ficará para a próxima.

Nebulosa da Carina. Frames de 120s. Total 2hrs.

A nebulosa de Carina (Eta Carinae) está localizada a uns 8mil anos-luz de nós. É uma das maiores nebulosas do nosso hemisfério sul, uma região de HII com intensa formação estelar. A nebulosa escura pequena conhecida como "buraco da fechadura (Keyhole)" é a nuvem de absorção no centro da Carina, 

Céus limpos a todos!

@AstronominaNoCerrado

Friday, January 7, 2022

Meteoritos Santa Vitória do Palmar e Nova Petrópolis

O meteorito Santa Vitória do Palmar foi encontrado em meados de 2003 nas proximidades das dunas do Holoceno em Lagoa Mirim durante as buscas por flechas indígenas. Foram encontradas três massas e então classificadas como Condrito Ordinário L (baixo teor de ferro). Na época houve suspeita que esse meteorito pudesse ser oriundo de um bólido registrado na região em 1997 mas a hipótese foi descartada pois as massas encontradas já haviam sofrido com intemperismo, indicando queda mais antiga. Sua análise pode ser vista aqui


O Nova Petrópolis também foi encontrado no Rio Grande do Sul durante a abertura de uma estrada na década de 60. É um Siderito Octaedrito com estruturas Widmanstätten bem presentes. Uma curiosidade é que esse meteorito foi considerado uma "pedra misteriosa" por populares na região pois ela parecida "chorar". Era água sendo condensada com a mudança de temperatura, principalmente quando ia chover. Sua análise pode ser vista aqui


Céus Limpos

@astronomiaNoCerrado

Tuesday, January 4, 2022

Meteoritos Santa Catharina e Patos de Minas II (Octaedrito)

 O meteorito Santa Catharina foi descoberto ainda durante o reinado de D. Pedro II em São Francisco do Sul - SC por volta de 1875. A quantidade desse meteorito era tão grande (25t) que antes de ter uma amostra classificada como sendo um objeto do espaço, foi enviado para a Europa como sendo proveniente de uma mina de ferro para ser fundido. O Santa Catarina é um raro Siderito Ataxito com mais de 30% de Niguel em sua composição, não mostrando estruturas como as de Widmanstatten ao ser tratado com ácido. A análise pode ser vista aqui.


Já o Patos de Minas II (Siderito Octaedrito) começa sua história em 1925. Havia um fragmento de 18.4g desse meteorito na Escola de Minas de Ouro Preto. Mais tarde em 2002 um fazendeiro achou uma massa de 200kg enquanto arava sua terra na mesma região do fragmento menor. Ao analisar a maior massa, logo se descobriu que as duas faziam parte do mesmo meteorito. Sua análise pode ser vista aqui


Céus limpos

@astronomiaNoCerrado

Saturday, January 1, 2022

Um pedaço do Vesta no Brasil

Em Junho de 2017 um meteorito teve sua queda observada nas proximidades da vila Serra Pelada no Pará. Um estrondo que foi ouvido a quilômetros de distância! Alguns fragmentos foram encontrados próximos a uma escola na região e coletados por morados da vila. A massa maior, que fora logo vendida para um estrangeiro, foi encontrada por um eletricista na região de uma mineradora.

Parte desses fragmentos foram comprados por pesquisadores e colecionadores brasileiros, submetidos a análise e indicaram que se tratava de um tipo raro de meteorito (Acondrito Eucrito, HED), que seria proveniente do asteróide 4 Vesta. O estudo realizado por Maria Elizabeth Zucolotto, pesquisadora da UFRJ, reforça a origem desse meteorito pois possui uma proporção única de alguns elementos químicos.

Esse exemplar acaba de entrar para a coleção. Sua análise pode ser vista aqui.

Vesta (designado formalmente 4 Vesta) é o segundo maior asteroide do Sistema Solar e o principal corpo da família Vesta, com um diâmetro médio de 530 km, até ser promovido a protoplaneta em maio de 2012.

Foi descoberto por Heinrich Wilhelm Olbers em 29 de março de 1807. O nome provém da deusa romana Vesta, correspondente à deusa da mitologia grega Héstia. Está localizado no cinturão de asteroides, região entre as órbitas de Marte e Júpiter, a 2,36 UA do Sol. 


foto: 4 Vesta. Dawn/NASA

Seu tamanho e o brilho pouco comum na superfície fazem de Vesta o mais brilhante asteroide. É o único asteroide que é ocasionalmente visível a olho nu.

Teoriza-se que nos primeiros tempos do sistema solar, Vesta era tão quente que o seu interior derreteu. Isto resultou numa diferenciação planetária do asteroide. Provavelmente tem uma estrutura em camadas: um núcleo metálico de níquel-ferro coberto por uma camada (manto) de olivina. A superfície é de rocha basáltica, originária a partir de antigas erupções vulcânicas. A atividade vulcânica não existe hoje.

Céus Limpos

@astronomiaNoCerrado

Saturday, December 18, 2021

Meteoritos URUAÇU, CAMPOS SALES e N. S. Do Livramento

Entrando para a coleção mais três exemplares de meteoritos brasileiros! O meteorito Uruaçu e o Campos Sales caíram em solo nacional na década de 90. O primeiro, localizado por um fazendeiro no Estado de Goiás foi classificado como Siderito e portanto proveniente do núcleo do corpo parental, sua análise pode ser encontrada aqui

Já o Campos Sales, teve sua queda observada no Ceará, é um Condrito Ordinário com baixo teor de ferro (L5), formado a milhões de anos atrás por acreção de matéria proveniente dos primórdios do Sistema Solar. Sua análise pode ser vista aqui.



O Nossa Senhora do Livramento foi achado em 2016 em Mato Grosso durante uma busca por ouro na região e também foi classificado como um Siderito, sua análise pode ser acessada aqui


Céus limpos a todos

@astronomiaNoCerrado

Thursday, November 4, 2021

PixInsight com suporte a CUDA

Para quem usa PixInsight para tratar as astrofotos sabe que alguns processos como StarNet são computacionalmente muito caros e podem levar horas para terminar.

Para facilitar um pouco a nossa vida dura 😅 trago aqui uma dica de como utilizar sua placa NVIDIA para acelerar esse processo. Para esse tutorial vamos usar os seguintes softwares e versões:

  • PixInsight 1.8.8-9
  • Cuda ToolKit 11.5 (cuda_11.5.0_496.13_win10.exe)
  • CudaNN 11.4 (cudnn-11.4-windows-x64-v8.2.4.15.zip)
  • LibTensorflow 2.6.0 (libtensorflow-gpu-windows-x86_64-2.6.0.zip)
NOTA 1: Não são todas as placas NVIDIA que funcionam, mas vale você testar a sua.
NOTA 2: Se você usa uma versão mais antiga do PixInsight pode ter que usar versões mais antigas doas softwares listados aqui.

Passo 1:
Instale Cuda ToolKit 11.5 (execute cuda_11.5.0_496.13_win10.exe).
Selecione a opção Personalizada 

Você pode desmarcar todas as opções, deixando apenas CUDA/Runtime/Libraries

Finalize a instalação no diretório padrão C:\Program Files\NVIDIA GPU Computing Toolkit\CUDA\v11.5

Passo 2:
Precisamos criar duas variáveis de ambiente. Abra Propriedades do Sistema (você pode ir em procurar e digite Editar Variáveis). Vá em Avançado/Variáveis de Ambiente



Crie a variável TF_FORCE_GPU_ALLOW_GROWTH com valor True


Edite a variável Path e adicione o caminho C:\Program Files\NVIDIA GPU Computing Toolkit\CUDA\v11.5


Faça para as variáveis de sistema e para o usuário (só para garantir).

Passo 3:

Abra cudnn-11.4-windows-x64-v8.2.4.15.zip e extraia a pasta lib e bin que está dentro de cuda para
C:\Program Files\NVIDIA GPU Computing Toolkit\CUDA\v11.5


Passo 4:

Abra e extraia libtensorflow-gpu-windows-x86_64-2.6.0.zip, depois copie o arquivo tensorflow.dll que está no diretório lib para  C:\Program Files\PixInsight\bin 

Passo 5:

Vamos testar! Abra seu Gerenciador de Tarefas / Desempenho. Execute o PixInsight, abra uma imagem não-linear e execute o processo StarNet. Você deve ver sua GPU trabalhando!


Céus limpos!
@astronomiaNoCerrado

Friday, October 22, 2021

A Energia Escura

Essa entidade é mais um mistério da ciência pois sabemos pouco sobre sua provável composição. Digamos que você pegue um certo volume do espaço e tire tudo de dentro, então teríamos o vácuo. Na verdade teríamos o próprio espaço e aparentemente há uma energia associada a ele. Essa é a Energia Escura.

O mais impressionante é que graças a Física Quântica estamos conseguindo quantificar essa energia.

Na Cosmologia a Energia Escura é sinônimo de Constante Cosmológica ƛ. A densidade Dƛ dessa constante se junta a outros dois parâmetros cosmológicas (densidade de radiação (Dr) e densidade de matéria (Dm)) que descrevem a composição do Universo.

Existe um consenso na ciência de que nosso universo é plano e portanto se tornarmos esses parâmetros adimensionais dividindo por uma constante chamada de densidade crítica (ρ que é a quantidade de matéria que define o universo plano), a soma precisa ser 1 respeitando a geometria euclidiana.

Dƛ/ρ + Dm/ρ + Dr/ρ = 1

Aqui a Cosmologia consegue nos dar alguns números. No post sobre Matéria Escura ficou claro que é possível experimentalmente fazer estimativas da matéria no universo (Dm/ρ = 0.3) , sabemos que é possível fazer o mesmo com a radiação (Dr é muito pequeno, desprezível e próximo de 10^-5). portanto

                                                                  Dm/ρ + Dr/ρ = 1 - Dƛ/ρ

                                                                        0.3 = 1 - Dƛ/ρ

                                                                            Dƛ/ρ = 0.7

Daqui tiramos que aproximadamente 70% do universo é Energia Escura e 30% de matéria (bariônica + escura) e a radiação é muito pequena. Vale ressaltar que a quantidade e Energia Escura sempre se alterou com a expansão do universo, pois a medida que há mais espaço também há mais energia. Entretanto a densidade de Energia Escura permanece constante desde o Big Bang.

Isso é interessante pois sabemos que houve um tempo onde havia mais radiação que matéria no universo, portanto  Dm/ρ e Dr/ρ se alteraram em menor e maior proporção. Principalmente nos primeiros anos após o Big Bang, Dm/ρ deveria estar mais próximo de ser insignificante e  Dr/ρ mais próximos dos 30%.

Uma outra forma de chegar a esses valores é fazer a curva de aproximação da relação redshift (z) vs idade do universo. 

Mais uma vez os valores ótimos (idade do universo ~13Gyr) para os parâmetros cosmológicos são próximos de 0.7 e 0.3 e H sendo a constante de Hubble atualmente.

Por curiosidade fiz a integração numérica com intervalo de integração [0, 1000], Dƛ/ρ=0.7 e  Dm/ρ=0.3:

                            - 20ln(3*10001^3/2 + 7)/21 + 10ln(1001)/7 + 20ln(10)/21 = ~ 1/H * 1.1455

Esse valor superior a H^-1 sugere que o universo seria um pouco mais velho e estaria acelerando. O resultado dessa integração numérica muda bastante dependendo dos valores escolhidos para os parâmetros cosmológicos, por isso é tão importante estima-los com precisão.

As estimativas para esses parâmetros cosmológicos são fundamentais também para o cálculo de várias outras funções como por exemplo a Distância Comóvel, que por sua vez nos leva a Distância de Luminosidade e Distância de Diâmetro Angular.

É importante lembrar que existem outras hipóteses para explicar a Energia Escura, isso porque as observações da Física Quântica indicam uma discrepância muito grande entre o valor teórico assumido por ƛ no modelo cosmológico padrão e o que se quantifica experimentalmente.

Céus limpos

@astronomiaNoCerrado


Nebulosa da Borboleta

 A NGC 6302, também conhecida como Nebulosa da Borboleta ou Nebulosa do Inseto, é uma impressionante nebulosa planetária localizada na const...