Monday, June 1, 2020

Nebulosa Omega

Dessa vez arrumamos a tralha toda e rumamos para o sul, sul de Goiás. Chegamos pela manhã em uma fazenda próxima a região de Alexânia para passar o final de semana e a noite fotografar. Essa região sofre muito com a poluição luminosa de Brasília, aproximadamente até uns 30 graus de elevação é bem difícil aproveitar algum objeto e para complicar ainda mais eu teria que esperar a Lua sumir no horizonte por volta de uma da manhã.
Mas esperar dessa vez foi proveitoso, família reunida e podemos observar o céu a olho nu. Observar o cosmos sempre nos ensina algo, sobre nossa história e sobre nós.
Mais uma vez levei o refrator 80mm e o projeto de montagem veicular. dada as condições de relevo e poluição luminosa escolhi como alvo a Nebulosa Ômega (M17), pois estaria próxima ao zênite e portanto mais distante da luz de Brasília e Alexânia.. Uma nebulosa pequena para esse telescópio e uma região com muitas estrelas, nuvens de matéria interestelar na constelação de Sagitário. 
Comecei a fotografar por volta de 1:30 da manhã e pude aproveitar 30 light frames de 5 minutos cada, portanto 2.5 horas de sinal para desvendar essa nebulosa.

Ps: O foco não ficou bom, ausência de flattener e o tempo de exposição ficou curto. Perdi detalhes, mas faz parte do aprendizado. Tentarei captura-la novamente e refazer o processamento

O objeto está localizado a aproximadamente 6000 anos-luz da Terra e foi descoberto ainda no século XVI.
Céus limpos a todos! Até a próxima!



@astronomianocerrado

Sunday, April 26, 2020

Iniciando a temporada 2020


"Houve um tempo antes da televisão, antes dos filmes, antes do rádio, antes dos livros. A maior parte da existência humana foi gasta nesse período. Sobre as brasas moribundas da fogueira, em uma noite sem lua, vimos as estrelas. (Carl Sagan)"

É com as palavras de Carl Sagan que inicio mais esse registro de minhas investidas pelo cerrado em busca de registros do cosmos. Nesse tempo que outrora foi o futuro, há muito para aprendemos com o passado, mas nunca é tarde!

O mês de Abril na região da Chapada dos Veadeiros costuma dar alguma chance aos amantes da astronomia, as chuvas diminuem e há alguns períodos de céu limpo. Foi com essa previsão nada muito certa que acompanhei de perto os dias próximos à Lua Nova.


A expectativa era de céu bom até por volta das 00:00, ainda sim com alguma nebulosidade. Depois desse horário provavelmente não haveria muitas oportunidades. É uma janela de tempo muita curta, ainda mais que eu estaria experimentando novas configurações no meu equipamento.

Pra esse ano pretendo tentar diminuir tamanho, peso e quantidade de itens levados a campo. Isso faz uma enorme diferença quando suas sessões são curtas e está em local sem infra-estrutura. Esse é o caso. Portanto devo deixar meu SCT C8 guardado, o tri-pier, mesas e cadeiras que costumava levar. Devo deixar para trás mais de 20kg em equipamentos e liberar um volume considerável no carro.

Nesse inicio de temporada o objetivo é me adaptar ao pequeno refrator apo 80mm, avaliar algumas adaptações que fiz na minha viatura com o objetivo de facilitar minhas investidas pelo cerrado goiano. Falando em goiano, deixo aqui meu agradecimento ao amigo Renato que fez um contra-peso para esse novo setup em tempo record e com muito capricho!

Sai de Brasília por volta das 13h rumo à Chapada dos Veadeiros, tempo suficiente para eu chegar, achar um bom local para ficar e arrumar tudo.

O primeiro aspecto positivo nessa nova configuração é que gastei menos tempo para deixar tudo pronto. Com a antiga tralha, eu gastava uns 45 minutos descarregando o carro e montando tudo. E na hora de levantar o acampamento então!
Todo o equipamento está sendo alimentado por duas baterias estacionárias. Uma de 50ah apenas para a montagem equatorial e uma de 115ah ligada em um inversor de 1500W para o notebook e o restante dos acessórios.



Outro aspecto positivo é que os cabos/fios que antes ficavam pelo chão, agora ficam aparentemente mais organizados e sem risco de serem chutados!.
O notebook fica a maior parte do tempo (quando estou capturando um objeto) no console do carro, o que também ajuda a proteger o equipamento do tempo úmido da Chapada!
O aspecto mais negativo é que é preciso tomar cuidado ao manipular as coisas dentro do carro, pois um balanço vai atrapalhar bastante.



Agora com o tempo sobrando, deu tempo de observar com calma o pôr-do-sol. Alguém já notou como os buritis ficam bonitos no pôr-do-sol ? E com a presença da Lua e Vênus então ?



A noite cai e é hora de iniciar logo os trabalhos! Até porque o tempo é curto, na melhor das hipóteses terei umas 4 horas para fotografar.
O segundo objetivo para esse ano é tentar usar nossa "estrela polar sul", Sigma Octants como referência para o alinhamento polar da montagem. Isso é importante porque outros métodos costumam levar tempo e carga de bateria!! Já que não está sobrando energia, usando um binóculos e um laser é possível fazer a maior parte do trabalho sem precisar ligar o equipamento.
A idéia era ótima, mas eu esqueci de carregar a bateria do laser!!!! Deu tempo só de ajustar a montagem de forma mais grosseira para o polo sul geográfico.
Com a montagem desalinhada, nada funcionava direito. A guiagem com erro médio total de uns 2.5px era o suficiente pra não conseguir fotos muitos longas. O Plate Solving também não fazia mágica e não conseguia localizar as regiões do céu.
Tentei intervir na posição do GOTO, apontando corretamente a montagem para a constelação de Orion onde se encontrava meu alvo da noite e tirando uma foto para ser avaliada pelo Plate Solving. Funcionou! M42 (Nebulosa de Órion) encontrada!


Nessa minha teimosia em não tentar um drift para o alinhamento polar, tentando remediar o irremediável, o tempo foi passando, as nuvens chegando e o orvalho dando um banho em tudo!
Esse foi outro grande problema, o orvalho! Confiei que o dew shield do 80mm iria dar conta do recado e não levei a fiação para ligar o dew heater. Resultado ? Acabou a noite!
Pra não dizer que não deu pra tirar nenhuma foto, deu pra tirar uma! muito rapidamente e com o foco deixando a desejar.

Bom, foram poucas horas e muitos problemas pra resolver como sempre! É a vida. Nebulosa de Órion ainda será perseguida durante a temporada 2020 e espero trazer uma boa imagem dela.

Céus limpos a todos!
@astronomianocerrado

Friday, September 27, 2019

LightBox: Como fazer uma


Um dos frames que compõe o processamento de imagens astrofotográficas são os FLAT FRAMES. Esses frames são utilizados para reduzir os efeitos negativos causados pela vinheta e partículas de poeira/sujeira na ótica.
Existem muitas formas de se obter os FLAT FRAMES, eu particularmente tirava os meus apontando o telescópio para o céu, logo nos primeiros minutos de luz da manhã. Funciona muito bem, mas tem dois problemas ai: o céu deve estar sem nuvens e você tem que ficar acordado para fazer os frames bem cedo.
Uma opção interessante é carregar consigo uma LightBox, que nada mais é que uma fonte de luz branca uniforma para tirar seus FLAT FRAMES. Nesse post vou explicar como fazer uma para um OTA 200mm , idéia que o amigo Renato deu no EBA 2019!.

Você vai precisar de:

  • Painel de LED de luz branca, com difusor, redondo e pouco maior que a abertura do seu OTA.
  • Pano branco, pode ser uns 50x50cm
  • Espuma com aproximadamente 2cm de espessura
  • Dremel
  • Fio elétrico com plugue
  • Cola superBonder
  • Fita isolante


Vamos ao passo-a-passo:


Utilize o Dremel para retirar as estruturas do painel de LED de forma que encaixe no OTA. Tenha certeza de que a ótica do OTA esteja completamente coberta pela pelo difusor de LED, queremos que toda a abertura do OTA seja iluminada pelo difusor.
Retire os parafusos que prendem o LED na estrutura circular e retire o difusor. Utilize o formato do difusor para recortar umas duas peças em formato circular de pano branco.
Coloque as duas peças de pano e o difusor de volta, prenda os parafusos e inverta o painel de LED. Deixe a parte que vai emitir luz para dentro da estrutura circular. Essa parte do LightBox estará encaixada no OTA.
Agora cole uma tira da espuma na parte interna da estrutura redonda do painel. Essa espuma permitira um encaixe firme no OTA.


Para finalizar use a fita isolante para prender o fio com plugue no painel de LED. Pronto! sua LightBox está pronta.



Testando o LightBox:

Faça alguns empilhamentos usando o FLATs do LightBox e verifique se sinais não foram perdidos nas imagens. Verifique como está o histograma, se ficar muito a direita você vai precisar usar mais panos. Procure deixar o histograma mais centralizado.

@astronomianocerrado




Tuesday, August 6, 2019

NGC 1365 - Processamento

Utilizei PixInsight dessa vez para processar minha captura da NGC 1365. Tentei seguir o passos do tutorial do Rafael Compassi do canal AstroFoto. Ë simples mas da um bom resultado, para uma primeira vez com PixInsight fiquei satisfeito





As ferramentas utilizadas foram:
  • ScreenTransformationFunctions
  • DynamicCrop
  • DynamicBackgroundExtraction
  • BackgroundNeutralization
  • PhotometricColorCalibration
  • SCNR
  • HistogramTransformation
  • StarMask
  • ACDNR
  • CurvesTransformation
@astronomianocerrado

Monday, August 5, 2019

EBA - Encontro Brasileiro de Astrofotografia, Missão cumprida!

Longas horas sem dormir observando o céu e o aguardado dia havia chegado. Não só porque eu teria que dar um jeito de capturar meu objeto de céu profundo desejado, mas também porque o colega Sidney havia prometido fazer aquele costelão gaúcho no almoço. Sem dormir na noite anterior fui até a cozinha tomar meu café da manhã e lá estava ela!


Almoçamos depois de assada por unas 8hrs! Estava espetacular!
Os dois primeiros dias de EBA serviram para corrigir problemas e testar possibilidades de capturas. Sendo assim pude aproveitar poucos frames das noites anteriores, mas o equipamento estava quase 100%. Na última noite resolvi checar a colimação dos espelhos do SCT, já que na última captura de Helix ficou claro que haviam alguns problemas. Refiz a colimação mais uma vez com a ajuda do meu amigo do fundão Renato. Como o céu estava muito ruim, usamos uma luz um pouco difusa no horizonte, mas funcionou bem!
Tudo contornado, porém ainda não tinha cumprido minha missão de capturar uma galáxia 😩. O Céu não ajudou muito durante esses três dias e os alvos que eu havia planejado, na maioria das vezes já estavam muito baixos no horizonte para serem capturados quando as nuvens davam uma trégua. Lembrei que na tarde do dia anterior, um colega me apresentou uma galáxia em espiral (NGC 1365) e que estava disponível das 2 da madrugada até o nascer do sol. Pronto! era minha última chance de capturar minha galáxia.

Dessa vez resolvi fazer como manda o figurino, me planejei para tirar os tipos de frames necessários para ter uma boa amostra dessa galáxia. Um pequeno problema aconteceu durante a captura, a bateria da 6D acabou! E como eu tava dentro do carro pra fugir do frio, fiquei algum tempo sem capturar frames.Troquei bateria e pude continuar o processo.
Foram um pouco mais de 3 horas de captura empilhadas e sem processamento.

  • Lights : 38 x 300s ISO 1600
  • Darks: 10 x 300s ISO 1600
  • Flats: 10 ISO 1600
  • Bias: 10 ISO 1600


NGC 1365 é uma galáxia espiral barrada localizada na direcção da constelação de Fornax.  Ela tem cerca de 200 mil anos-luz de diâmetro. Localizada a cerca de 60 milhões de anos-luz de distância da Terra. No seu centro habita um buraco negro supermassivo de 2 milhões de massas solares. Essa estrutura curvada se dá pelo fato de que objetos orbitam o núcleo da galáxia em tempos distintos. Um giro completo é estimado em 350 milhões de anos.

Lições aprendidas:

  • EBA é um evento fantástico. Além de aprender muito você fará novas e boas amizades
  • Quando for colimar um SCT sempre volte o ponto luminoso para o centro da FOV entre um ajuste e outro.
  • Aprenda o Plate Solve, torna a noite muito mais produtiva
  • Procure ter um adaptador AC para sua câmera DSLR, vai evitar frustações com as baterias.
  • Mantenha o foco no objetivo! Persistência!


@astronomianocerrado

Sunday, August 4, 2019

EBA - Encontro Brasileiro de Astrofotografia, Segunda Noite

Iniciei a segunda noite com uma novidade no meu equipamento. Coloquei um filtro que isola efetivamente emissão H-Alpha, H-Beta e Oxygen II, mas ele me trouxe mais problemas durante a noite. O Plate Solve não estava funcionando corretamente, provavelmente pela aparente redução de estrelas no campo de visão e o foco estava difícil de ser alcançado. Acabei perdendo muito tempo tentando resolver esses problemas e por fim retirei o filtro. Utilizei a estrela Vega para refazer o foco. Precisei ainda melhorar meu alinhamento polar, utilizei o posicionamento relativo da montagem equatorial de um colega com a estrela polar sul, utilizamos um laser para isso. O novo alinhamento polar caiu de 4'' para 1''.



Mais uma vez o céu ficou nublado até por volta das 2 horas da manhã, tinha restando então pouco mais de duas horas para procurar um bom alvo. Dessa vez o objeto escolhido foi a nebulosa planetária NGC 7293. Foram um pouco mais de 2 horas de exposição com diferentes ISOs e tempos. Por hora sem darks, flats e bias.


Nebulosa Hélix, também conhecida como Nebulosa da Hélice ou Olho de Deus. A Hélix ou NGC 7293 é uma nebulosa planetária localizada na constelação de Aquarius e distante da Terra 700 anos-luz. Sua origem se dá há alguns milhares de anos atrás causada por uma estrela semelhante ao sol em fase final de sua vida.


@astronomianocerrado

Saturday, August 3, 2019

EBA - Encontro Brasileiro de Astrofotografia, Primeira Noite

Esse ano tive o prazer de aprender com os colegas de astrofotografia no EBA 2019. Esse evento tão aguardado ocorre uma única vez no ano nos arredores de Brasilia, durante uma semana inteira (muitos gostam tanto de chegam antes e só vão embora depois 👀). Quem frequenta esse evento tem a possibilidade de compartilhar experiências e conviver com astrofotógrafos de todo o Brasil e até do exterior. E mais uma vez para mim foi um intensivo de aprendizagem.
Nessa primeira parte do post, vamos falar um pouco sobre a primeira noite no EBA, que como de costume é quase sempre cheia de problemas e perrengues.
Cheguei no período da tarde no local do evento, uma fazenda de um colega do Clube de Astronomia de Brasília, que me recebeu muito bem e logo fui para o local onde os equipamentos estavam sendo montados para descarregar meu setup.


Consegui finalizar tudo ainda com a luz do sol para me ajudar. E ai começaram os problemas!
Tive problemas de alinhamento polar, colimação do C8, foco da câmera primaria e foco da guiagem!
Nessa primeira noite consegui ajustar razoavelmente todos eles com a ajuda do colega Renato Souza (que também me ajudou com Plate Solve, vou escrever sobre isso em um outro post).
O alinhamento polar ficou ruim, a guiagem com erro de 4'' não ajudou em nada os frames de longa exposição. Consegui com certo custo apenas frames de 120 segundos. A colimação do SCT fizemos na madrugada, levou um tempão. Diria que ficou uns 95%. 

Resolvido parcialmente esses problemas, lá pelas 1:30 da manhã comecei as capturas. Aliás tentei,pois o céu ficou nublado! Ai é hora de andar pela plantação de telescópios e dar risada com os amigos.
Meu objetivo principal era capturar pequenas galáxias, mas aquelas que eu tinha mapeado já estavam baixas no horizonte e achei melhor tentar objetos mais brilhantes. O alvo mudou para a Nebulosa Trifida (Messier 20), vizinha da Nebulosa da Lagoa (Messier 8).
Nessa hora que o colega Renato me ajudou muito, conseguimos configurar o APT para fazer Plate Solve, já que com o BackyardEOS com Astrotortilla não estava tendo sucesso.


Com todos os perrengues consegui salvar apenas 3 frames de 120 segundos a ISO 1600 da M20, que foram empilhados


A Nebulosa Trífida (Messier 20, NGC 6514) é uma região HII, ou seja uma região composta de gás estelar e poeira onde recentemente, em termos astronômicos, começou formar novas estrelas. Está localizada na constelação de Sagitário e seu nome significa "dividido em três lóbulos". O objeto é uma combinação incomum de um aglomerado aberto de estrelas, uma nebulosa de emissão (a parte inferior, vermelho), uma nebulosa de reflexão (a parte superior azul) e uma nebulosa escura (aparentes "lacunas" na nebulosa de emissão, que causam a aparência trifurcarda).
A Nebulosa Trífida é um objeto brilhante e colorido. Situa-se aproximadamente 5.200 anos-luz em relação à Terra.

@astronomianocerrado

Nebulosa da Borboleta

 A NGC 6302, também conhecida como Nebulosa da Borboleta ou Nebulosa do Inseto, é uma impressionante nebulosa planetária localizada na const...